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Ivan Junqueira – Esse Punhado de Ossos

Esse punhado de ossos que, na areia,alveja e estala à luz do sol a pinomoveu-se outrora, esguio e bailarino,como se move o sangue numa veia. Moveu-se em vão, talvez, porque o destinolhe foi hostil e, astuto, em sua teiabebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceiao que havia de raro e de mais fino. Foram damas…
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Seamus Heaney – Posfácio

“Posfácio”, um poema de Seamus Heaney sobre a busca pela conexão com a natureza e os momentos fugazes que revelam a beleza do desconhecido, enquanto um simples passeio se transforma em uma experiência transformadora.
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Ivan Junqueira – A Sagração dos Ossos

Considerai estes ossos– tíbios, inúteis, apócrifos –que sob a lápide dormemsem prédica que os conforte. Considerai: é o que sobrade quem lhes serviu de invólucroe agora já não se moveentre as tábuas do sarcófago. Dormem sem túnica ou togae, quando muito, um lençollhes cobre as partes mais nobres(as outras quedam-se à mostra, não dos que…
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Kenneth Rexroth – Ar e Anjos: Apenas Esta Noite

*”Ar e Anjos: Apenas Esta Noite”*, um poema de Kenneth Rexroth sobre o poder intemporal de um momento de amor que desafia o próprio conceito de tempo, condensando passado e futuro em um presente eterno e imortal.
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Homenagem a Ricardo Reis

Não creias, Lídia , que nenhum estioPor nós perdido possa regressarOferecemos a florQue adiámos colher. Cada dia te é dado uma só vezE no redondo círculo da noiteNão existe piedadePara aquele que hesita Mais tarde será tarde e já é tardeO tempo apaga tudo menos esseLongo indelével rastoQue o não – vivido deixa. Não creias…
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Stephen Dunn – Depois de fazer amor

“Depois de Fazer Amor”, um poema de Stephen Dunn que explora as complexas emoções que emergem após um momento de intimidade, revelando a tensão entre o desejo de conexão e os fantasmas do passado que nos assombram.
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Ricardo Reis – Vem Sentar-te Comigo, Lídia, à Beira do Rio

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamosQue a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. (Enlacemos as mãos.) Depois pensemos, crianças adultas, que a vidaPassa e não fica, nada deixa e nunca regressa,Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado, Mais longe que os deuses. Desenlacemos…
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Marina Tzvietáieva – Abro as veias

“Abro as Veias”, um poema de Marina Tzvietáieva sobre o fluxo incessante e inexorável da própria essência, que, ao se esvair, encontra sua força mais profunda e seu destino inevitável na poesia.
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John Donne – Elegia: indo para o leito

Vem, Dama, vem, que eu desafio a paz;Até que eu lute, em luta o corpo jaz.Como o inimigo diante do inimigo,Canso-me de esperar se nunca brigo.Solta esse cinto sideral que vela,Céu cintilante, uma área ainda mais bela.Desata esse corpete constelado,Feito para deter o olhar ousado.Entrega-te ao torpor que se derramaDe ti a mim, dizendo: hora…
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Lisel Mueller – Monet recusa a cirurgia

*”Monet Recusa a Cirurgia”*, um poema de Lisel Mueller sobre a luta entre a clareza objetiva e a visão artística, onde a passagem do tempo transforma o mundo em um espaço de fusões e conexões invisíveis, reveladas apenas ao olhar de quem aprendeu a ver além da superfície.