Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Hilda Hilst – Roteiro do Silêncio

Não há silêncio bastantePara o meu silêncio.Nas prisões e nos conventosNas igrejas e na noiteNão há silêncio bastantePara o meu silêncio.Os amantes no quarto.Os ratos no muro.A meninaNos longos corredores do colégio.Todos os cães perdidosPelos quais tenho sofrido:O meu silêncio é maiorQue toda solidão.E que todo silêncio.
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José Saramago – Não me Peçam Razões

Não me peçam razões… Não me peçam razões, que não as tenho, Ou darei quantas queiram: bem sabemos Que razões são palavras, todas nascem Da mansa hipocrisia que aprendemos. Não me peçam razões por que se entenda A força de maré que me enche o peito, Este estar mal no mundo e nesta lei: Não…
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Fernando Pessoa – Autopsicografia

O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que leem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a…
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Carlos Drummond de Andrade – A Luis Mauricio, Infante

Acorda, Luís Mauricio. Vou te mostrar o mundo, se é que não preferes vê-lo de teu reino profundo. Despertando, Luís Mauricio, não chores mais que um tiquinho. Se as crianças da América choram em coro, que seria, digamos, do teu vizinho? Que seria de ti, Luís Mauricio, pranteando mais que o necessário? Os olhos se…
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Angela Melim – Meu pai nos abandonou

Meu pai nos abandonou. Minha mãe casou e mudou. Vovó morreu. Os irmãos sumiram no mundo ou submundo. Sem explicação Yvonne nunca mais falou comigo e, para Ronaldo, sou fantasma do passado. Vejo meus filhos já voando. Nem um pássaro na mão. in http://asescolhasafectivas.blogspot.com.br/2007/12/angela-melim-mencionada-por-laura-erber.html
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Luiz Olavo Fontes – Meu Amor de Soslaio

Faz tanto calor no Rio de Janeiro que é bom sentir essa neve partir de seu olhar in http://antoniocicero.blogspot.com.br/2008/07/luiz-olavo-fontes-meu-amor-de-soslaio.html
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Paulo Henriques Britto – Geração Paissandu

Vim, como todo mundo do quarto escuro da infância, mundo de coisas e ânsias indecifráveis, de só desejo e repulsa. Cresci com a pressa de sempre. Fui jovem, com a sede de todos, em tempo de seco fascismo. Por isso não tive pátria, só discos. Amei, como todos pensam. Troquei carícias cegas nos cinemas, li…
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Adriano Espínola – “Lamas” – Bar e Restaurante

A Horácio Dídimo À noite todos os lépidos são larápios, todos os otários são notórios, todas as lânguidas são lésbicas todas as cópulas são cédulas, todos os lúcidos são trágicos todos os bêbados são sábios.
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Antero de Quental – Nox

Noite, vão para ti meus pensamentos, Quando olho e vejo, à luz cruel do dia, Tanto estéril lutar, tanta agonia, E inúteis tantos ásperos tormentos… Tu, ao menos, abafas os lamentos, Que se exalam da trágica enxovia… O eterno Mal, que ruge e desvaria, Em ti descansa e esquece alguns momentos… Oh! Antes tu também…
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Paulo Henriques Britto – de “Nenhuma Arte”

Os deuses do acaso dão, a quem nada lhes pediu, o que um dia levam embora; e se não foi pedida a coisa dada não cabe se queixar da perda agora. Mas não ter tido nunca nada, não seria bem melhor — ou menos mau? Mesmo sabendo que uma solidão completa era o capítulo final,…