Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Paulo Henriques Britto – de “Cinco Sonetos Frívolos”

V Súbito? Não. A coisa morre à míngua, um risco vira traço e o traço, ponto. Por exemplo: uma manhã de domingo, a mesa posta pro café, tudo pronto pra não se fazer nada – ou então a noite de uma terça-feira inane, sob o quebranto da televisão – mas isso não importa; que se…
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Paulo Henriques Britto – De “Cinco Sonetos Frívolos”

IV Até onde a vista alcança é real todo o visível. Como dançarina e dança formam um todo indistinguível, assim também não há esperança de se atingir algum nível em que uma e outra substância se separem, dando alívio à consciência inquietante de que no próximo instante o erro vai ser dissipado. Não vai. O…
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Mario Quintana – O Tempo
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando de vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é natal… Quando se vê, já terminou o ano… Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê passaram 50 anos! Agora…
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Cacaso – Jogos Florais

I Minha terra tem palmeiras onde canta o tico-tico. Enquanto isso o sabiá vive comendo o meu fubá. Ficou moderno o Brasil ficou moderno o milagre: a água já não vira vinho, vira direto vinagre. II Minha terra tem Palmares memória cala-te já. Peço licença poética Belém capital Pará. Bem, meus prezados senhores dado o…
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Armando Freitas Filho – Sibilante

Cego aço doce corte de navalha ou de folha de papel: só sangra bem depois da ação, da posse do sentido e sentimento que o amor concede não isento do ciúme.
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Eucanaã Ferraz – Sob a luz feroz do teu rosto

“Sob a luz feroz do teu rosto”, um poema de Eucanaã Ferraz que transforma o amor impossível em metáfora selvagem: amar é desejar o que não pode ser tocado sem risco ou recusa.
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Nelson Santander – Postudo (pós-“Pós-Tudo”, Augusto de Campos e Os Hawaianos)
Postudo, de Nelson Santander, paródia do famoso Pós-Tudo, de Augusto de Campos, atualizada para a pós-pós-modernidade
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Vinicius de Moraes – O poeta Hart Crane suicida-se no mar

Quando mergulhaste na água Não sentiste como é fria Como é fria assim na noite Como é fria, como é fria? E ao teu medo que por certo Te acordou da nostalgia (Essa incrível nostalgia Dos que vivem no deserto…) Que te disse a Poesia? Que te disse a Poesia Quando Vênus que luzia No…
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Abel Silva – Navegações

Minha casa está calma, eu é que sou turbulento, o país navega, dizem, eu é que me arrebento eu é que sempre invento toda esta ventania eu é que não me contento com o rumo da romaria não sei se a sorte é cega ou eu que vivo a teimar: sei que eu sou o…