Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Albano Martins – A Dor

Não ponhas o dedo na ferida. Deixa a dor respirar em segredo. L delor Nun pongas l dedo na frida. Deixa l delor ceçar an segredo.
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Germana Zanettini – Leia Antes de Usar

não, aqui não há lugares reservados [de antemão já lhe adianto: nem adianta olhar para os lados] o ambiente não é climatizado os assentos não são flutuantes e máscaras de oxigênio não cairão sobre suas cabeças para sua segurança e conveniência informamos que a vida não vem equipada com saídas de emergência
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Diego Moraes – Já se passaram dez anos

Já se passaram dez anos Acabou a bateria do relógio que você me presenteou no natal que seu tio ficou bêbado de vinho dom bosco e disse na frente dos filhos e da esposa que era gay e viveria com um travesti búlgaro em Londres Já se passaram dez anos Os poemas que escrevi quando…
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Jorge de Sena – Suma Teológica

Não vim de longe, meu amor, nem sossobraram navios no alto mar, quando nasci. Nada mudou. Continuaram as guerras; continuou a subir o preço do pão; continuaram os poetas, uma vez por outra, a perguntar por ti. É certo que, então, imensa gente envelheceu instantânea e misteriosamente. Mas até isso, meu amor, se não sabe…
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Maria Teresa Horta – Poema sobre a Recusa

Como é possível perder-te sem nunca te ter achado nem na polpa dos meus dedos se ter formado o afago Sem termos sido a cidade nem termos rasgado pedras sem descobrirmos a cor nem o interior da erva Como é possível perder-te sem nunca te ter achado minha raiva de ternura meu ódio de conhecer-te…
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Mário Cesariny – Lembra-te

Lembra-te que todos os momentos que nos coroaram todas as estradas radiosas que abrimos irão achando sem fim seu ansioso lugar seu botão de florir o horizonte e que dessa procura extenuante e precisa não teremos sinal senão o de saber que irá por onde fomos um para o outro vividos
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Gonçalo M. Tavares – Os Mortos

Não há mortos que morram tanto como os nossos. Se um daqueles que nos pertence morre sete ou setenta vezes no coração, de quem apenas ouvimos falar morre uma vez, na sua data, e os que sempre viveram longe morrem-nos metade ou um oitavo. E metade de uma morte é quase nada, são casas decimais…
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Mário Dionísio – Elegia ao Companheiro Morto

Meu companheiro morreu às cinco da manhã Foi de noite ao fim da noite às cinco em ponto da manhã Ah antes fosse noite noite apenas noite sem a promessa da manhã Ah antes fosse noite noite noite apenas noite e não houvesse em tudo a promessa da manhã Deitado para sempre às cinco da…
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Alberto Caeiro – Poema XLIII (“Antes o voo da ave”)

Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto, Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão. A ave passa e esquece, e assim deve ser. O animal, onde já não está e por isso de nada serve, Mostra que já esteve, o que não serve para nada. A recordação é…
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Bruna Kalil – Paleativa

Você é rebelde só da cintura para baixo 1984, George Orwell busco prazer sendo profana para que o físico compense o descompasso do meu interior tão triste e tão mole. fujo dos sentimentos justamente por ter a plena consciência de que sou sentimental dem- ais. tenho medo, pavor, fobia de apaixonar-me outra vez, dói…