Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Ana Martins Marques – [Pense em quantos anos foram necessários para chegarmos a este ano]
![Ana Martins Marques – [Pense em quantos anos foram necessários para chegarmos a este ano]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2020/04/black-and-wite-beach-low-tide.jpg)
Pense em quantos anos foram necessários para chegarmos a este ano quantas cidades para chegarmos a esta cidade e quantas mães, todas mortas, até tua mãe quantas línguas até que a língua fosse esta e quantos verões até precisamente este verão este em que nos encontramos neste sítio exato à beira de um mar rigorosamente…
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Iracema Macedo – Dandara

Eu só acreditava em Drummond: ‘o amor chega tarde’ Não conhecia o amor que fulgura sem aviso esse que se sabe proibido o amor que já se sabe perdido desde o início Eu não acreditava no impossível vinha tão sóbria, tão cheia de medidas não conhecia o esplendor da queda nem a violência dos abismos
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José Miguel Silva – Tudo coisas mortais para a poesia

A casa, o lume, o sono dobrado do corpo feliz, a cesta de figos, a curva do rio, a fotografia no cimo do monte, a veracidade das glicínias, o rosto da mãe, a fava no bolo, o trunfo de copas, o filme da tarde, a música nova, o rasto da chuva por entre os pinheiros,…
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Alberto Bresciani – Bisões

Leia “Bisões”, de Alberto Bresciani, um poema sobre pertencimento, deslocamento e a busca humana por direção e sentido.
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Fernando Assis Pacheco – Tentas, de longe

Tentas, de longe, dizer que estás aqui. Com peso triste caminha na rua o Outono. O meu coração debruça-se à janela a ver pessoas e carros, e as folhas caindo. Mastigo esta solidão como quando era pequeno e jantava diante dos pais zangados: devagar, ausente.
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Carlos Drummond de Andrade – A flor e a náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas, Vou de branco pela rua cinzenta. Melancolias, mercadorias espreitam-me. Devo seguir até o enjoo? Posso, sem armas, revoltar-me? Olhos sujos no relógio da torre: Não, o tempo não chegou de completa justiça. O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera. O tempo pobre, o…
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Alberto Pucheu – A luta antes da luta

Você sabe, de nada adianta rezar no canto do ringue. Aquele que nele sobe, sobe sozinho. As bravatas lançadas na hora da pesagem e o peso da multidão colado em sua carne, você sabe, lá em cima, só aumentarão seu abandono. Você sabe também o preço que terá de pagar se deixar que qualquer vagabundo…
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Carlos Drummond de Andrade – A bruxa

Nesta cidade do Rio,de dois milhões de habitantes,estou sozinho no quarto,estou sozinho na América. Estarei mesmo sozinho?Ainda há pouco um ruídoanunciou vida ao meu lado.Certo não é vida humana,mas é vida. E sinto a bruxapresa na zona de luz. De dois milhões de habitantes!E nem precisava tanto…Precisava de um amigo,desses calados, distantes,que leem verso de…
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Carlos Drummond de Andrade – Dentaduras duplas

Dentaduras duplas! Inda não sou bem velho para merecer-vos… Há que contentar-me com uma ponte móvel e esparsas coroas. (Coroas sem reino, os reinos protéticos de onde proviestes quando produzirão a tripla dentadura, dentadura múltipla, a serra mecânica, sempre desejada, jamais possuída, que acabará com o tédio da boca, a boca que beija, a boca…
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Ricardo Aleixo – Geral

O jo go é tão sujo e você (entre bis onho e biz arro) torce justo para o juiz?