Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Jorge de Sena – Carta a meus filhos sobre o fuzilamento de Goya

Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso. É possível, porque tudo é possível, que ele seja aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo, onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém de nada haver que não seja simples e natural. Um mundo em que tudo seja permitido, conforme o vosso gosto,…
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Vinicius de Moraes – Cemitério Marinho

Cemitério Marinho, um poema de Vinicius de Moraes Tal como anjos em decúbito A conversar com o céu baixinho Existem cerca de cem túmulos Num lindo cemiteriozinho Que eu, a passeio, descobri Um dia em Sidi Bou Said. Mal defendidos por uns muros Erguidos ao sabor da morte Eu nunca vi mortos tão puros Mortos…
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Eugénio de Andrade – Não é verdade

Cai, como antigamente, das estrelas um frio que se espalha na cidade. Não é noite nem dia, é o tempo ardente da memória das coisas sem idade. O que sonhei cabe nas tuas mãos gastas a tecer melancolia: um país crescendo em liberdade, entre medas de trigo e de alegria. Porém a morte passeia nos…
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Miguel Torga – Rogo

Não, não rezes por mim. Nenhum deus me perdoa a humanidade. Vim sem vontade E vou desesperado. Mas assinei a vida que vivi. Doeu-me o que sofri. Fui sempre o senhorio do meu fado. Por isso, quero a morte que mereço. A morte natural, Solitária e maldita De quem não acredita Em nenhuma oração De…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Fundo do mar

No fundo do mar há brancos pavores,Onde as plantas são animaisE os animais são flores. Mundo silencioso que não atingeA agitação das ondas.Abrem-se rindo conchas redondas,Baloiça o cavalo-marinho.Um polvo avançaNo desalinhoDos seus mil braços,Uma flor dança,Sem ruído vibram os espaços. Sobre a areia o tempo poisaLeve como um lenço. Mas por mais bela que seja…




