Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Jorge Luis Borges – A noite que no sul o velaram

A noite que no sul o velaram para Letizia Álvarez de Toledo Pelo passamento de alguém — mistério cujo desconhecido nome possuo e cuja realidade não abarcamos — há até o alvorecer uma casa aberta no Sul, uma casa ignorada que não estou destinado a…
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Alberto Szpunberg – De “Sol de noche”

XIV Embora já saibas que nada volta, volta para casa, aceita a pequena mentira como um lapso antes que o inverno te surpreenda sob uma árvore de ramos despojados: aqui termina o bosque, o que cresceu em teus sonhos antes mesmo de tuas mãos roçarem os troncos: a pradaria que se estende perante teus olhos…
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Juan Vicente Piqueras – Taças de sede

Se duvidas de tua sede, se não te atreves a questiona-la ou a dar-lhe um nome, se só sabes que buscas uma água que a sacie e não achas senão poços, e neles ecos que te chamam, bebe. Se ao beber a sede desaparece é que era só sede. Segue buscando. Mas se cresce em…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Canção de fevereiro

Canção de fevereiro no peito do céu, palpitando Jaime Gil de Biedma Leve e triste, a tarde se retira contigo até o crepúsculo e as horas começam a doer nas dobras distantes do lençol. Subitamente a noite regressou e é difícil não pensar em teus efêmeros lábios ou nas altas regiões do teu corpo glorificando…
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Juan Vicente Piqueras – Lençóis herdados

A ferida mais íntima é herdada. O onde, o como, o quando,a morte, o nascimento,língua, família, deus, tempo, amor:o decisivo do que nos acontece,e quem somos,não é algo desejado nem escolhido. E passamos a vida, a despeito disso, ou por isso,crendo que o desejo é nosso deus,e não uma rosa rara que em nós cultivao…
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Joan Margarit – Ela me disse

Procuremos uma casa para morrer. Por exemplo, aquele apartamento onde começamos a nossa história: arquitetura vulgar dos anos sessenta, mas arejado e com flores. Um bom lugar – e alegre – para nele morrer: Talvez na sala, sempre com música e a luz que chegava do mar. Ou na cozinha, em que recebia as ordens…
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Juan Vicente Piqueras – A sala vazia

a Carlos Edmundo de Ory Era um de teus jogos favoritos.O que há em uma sala vazia?, perguntavas. Guardávamos silêncio. O que há em uma sala vazia? Os que não conheciam o jogoàs vezes diziam: nada, e tu dizias: não. Nada é nada, e eu disse o quê. Até que alguém dizia, por exemplo: silêncio.E…
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Raquel Lanseros – Oração

Que não cresça jamais em minhas entranhasessa paz aparente chamada ceticismoFuja eu do amargor, do cinismo, da imparcialidade de ombros encolhidos.Creia eu sempre na vidaCreia eu sempre nas mil infinitas possibilidades.Que me enganem os cantos das sereias,que minha alma guarde sempre um toque de ingenuidade.Que nunca se pareça minha pelecom a de um imóvel e…
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Juan Vicente Piqueras – Visível e Invisível

(Para os amigos que ainda estão vivos, mas desapareceram, onde quer que estejam, com um abraço póstumo) As pessoas tendem a desaparecer. Um dia te fazem rir e no seguinte já não estão. Um dia te ligavam todos os diaspara saber como estavas,e agora já nem te lembras de suas vozes. Um dia disseram sempree sempre acabou…
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Nicanor Parra – Último brinde

Querendo ou não,só temos três alternativas:o ontem, o presente e o amanhã. E nem sequer três,pois, como diz o filósofo,ontem é ontem,é nosso apenas na memória:à rosa que já se desbastounão se pode arrancar outra pétala. As cartas por jogarsão apenas duas:o presente e o dia de amanhã. E nem sequer duas,porque é um fato…