Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Cruzeiro do Sul

Ardem as folhas do outono na umidade crepuscular de Buenos Aires. Contra um parque dividido por três colinas, a opacidade de sua beleza procura nas folhagens o olhar que acompanhou a luz. As lâmpadas douradas mantêm suas memórias e acendem sombras no gramado. Ao entardecer, se organizam o horizonte de troncos e o suave tato…
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Juan Vicente Piqueras – Oração do descrente

O importante é rezar, não importa a quem,que as perguntas sejam as oraçõesdo pensamento, plantem sua sementeem nossa solidão, e não haja pazque, à força de insistir, seja capazde não existir, não tenha outro remédiosenão acudir à voz de quem a chama. Que deus não exista, acasoé razão para nele não crer? Deus é o…
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Susana Cattaneo – Quando já não estiver…

Quem porá o pésobre a marca que o meu deixou?Quem olhará estas árvoresonde meus olhos deixaram sinais?Alguém ouvirá cantar um pássaroque será outro.Alguém respirará os mesmos pinheirosde um verde mais cansado.A vida será uma folha em brancoe não poderei timbrá-la com minha palavra. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre…
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Joan Margarit – Despedidas

Ela o acompanhava até o primeiro trem que partia às segundas antes do amanhecer, e naquele bar costumavam despedir-se, o mais próximo da Estación de Francia. Evoco os invernos detidos atrás das vidraças da infância. E talvez esta seja sua mesa, onde agora lembro-me de que, naquela mesma hora, eu estava na penumbra do meu…
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Jorge Luis Borges – Mortes de Buenos Aires

I La Chacarita Porque a entranha do cemitério do Sul foi saciada pela febre amarela até dizer basta; porque os tugúrios fundos do Sul lançaram morte sobre a face de Buenos Aires e porque Buenos Aires não pôde encarar essa morte, golpes de pá te abriram na ponta perdida do Oeste, atrás das tempestades de…
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César Vallejo – Os passos distantes

Meu pai dorme. Seu semblante augusto exprime um tranquilo coração; está agora tão doce… se há algo nele de amargo, serei eu. Há solidão no lar; se reza; e não há notícias das crianças hoje. Meu pai desperta, ausculta a fuga para o Egito, o último adeus. Está agora tão perto; se há algo nele…
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Jorge Luis Borges – A noite que no sul o velaram

A noite que no sul o velaram para Letizia Álvarez de Toledo Pelo passamento de alguém — mistério cujo desconhecido nome possuo e cuja realidade não abarcamos — há até o alvorecer uma casa aberta no Sul, uma casa ignorada que não estou destinado a…
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Alberto Szpunberg – De “Sol de noche”

XIV Embora já saibas que nada volta, volta para casa, aceita a pequena mentira como um lapso antes que o inverno te surpreenda sob uma árvore de ramos despojados: aqui termina o bosque, o que cresceu em teus sonhos antes mesmo de tuas mãos roçarem os troncos: a pradaria que se estende perante teus olhos…
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Juan Vicente Piqueras – Taças de sede

Se duvidas de tua sede, se não te atreves a questiona-la ou a dar-lhe um nome, se só sabes que buscas uma água que a sacie e não achas senão poços, e neles ecos que te chamam, bebe. Se ao beber a sede desaparece é que era só sede. Segue buscando. Mas se cresce em…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Canção de fevereiro

Canção de fevereiro no peito do céu, palpitando Jaime Gil de Biedma Leve e triste, a tarde se retira contigo até o crepúsculo e as horas começam a doer nas dobras distantes do lençol. Subitamente a noite regressou e é difícil não pensar em teus efêmeros lábios ou nas altas regiões do teu corpo glorificando…