Joan Margarit – Uma história

Não digas nada, Joana,
apenas escuta-o e não digas nada.
Caminhávamos na chuvosa
manhã pela cidade adormecida,
e entrávamos lentamente
em uma via calçada
que não levava a lugar nenhum.
Algumas crianças, com gritos e canções,
queriam que nos aproximássemos do canal,
para que víssemos sua casa refletida na água.
Gostaste, lembra-te?,
de observar as crianças. Quando partimos
suas carinhas estavam grudadas nas vidraças,
suas vozes dissipando-se na água.
Chegamos tarde. Tarde demais.
Sempre teremos que voltar separadamente:
esse é o preço por termos sido capazes de
entrar em uma história.
E que sorte encontrar-te agora aqui,
de madrugada, transformada em um pátio:
o que quer dizer que, o tempo todo,
estiveste ao meu lado na escuridão.

Trad.: Nelson Santander

UN CUENTO

No digas nada, Joana,
tan sólo escúchalo y no digas nada.
Íbamos caminando en la lluviosa
mañana por el pueblo adormecido,
entrábamos despacio
por una calle adoquinada
que no llevaba a parte alguna.
Unos niños con gritos y canciones
querían acercarnos al canal,
que viésemos su casa reflejada en el agua.
Te gustaba, ¿recuerdas?,
ver a los niños. Al marcharnos
quedaban sus caritas pegadas al cristal,
sus voces apagándose en el agua.
Llegamos tarde. Demasiado tarde.
Habrá que volver siempre separados:
ése es el precio por haber podido
entrar dentro de un cuento.
Y qué suerte encontrarte ahora aquí,
de madrugada, convertida en patio:
lo que quiere decir que todo el tiempo
estabas junto a mí en la oscuridad.

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