Categoria: Poema
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William Carlos Williams – Nevasca

Neve:anos de fúria seguindohoras que flutuam indolentes —a nevascadeposita seu fardocada vez mais fundo por três diasou sessenta anos, não? Entãoo sol! um tumulto deflocos amarelos e azuis —Árvores de aparência hirsuta destacam-seem longas alamedassobre uma selvagem solidão.O homem se vira e lá —seu solitário rastro estendendo-sesobre o mundo. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema originalmente…
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Edward Hirsh – Como será a última noite

“Como será a última noite”, um poema de Edward Hirsh sobre a solidão íntima e a contemplação resignada diante da vastidão da noite e do infinito.
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Nuno Júdice – Epidemia

Passa de um para o outro através do olhar, de uma palavra,de um toque de mãos; por vezes, basta um leve suspiropara adivinhar a febre, e atrás dele descobre-se quenão é preciso cura nem tratamento. Instala-se na cabeça,no corpo, na boca, nos dedos, sem dor nem cansaço,apenas aquela ânsia a que se dá o nome…
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Yehuda Amichai – Como a marca de nossos corpos

“Como a marca de nossos corpos”, um poema de Yehuda Amichai sobre a efemeridade das nossas presenças e as marcas deixadas pela passagem do tempo.
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Susana Cattaneo – Quando já não estiver…

Quem porá o pésobre a marca que o meu deixou?Quem olhará estas árvoresonde meus olhos deixaram sinais?Alguém ouvirá cantar um pássaroque será outro.Alguém respirará os mesmos pinheirosde um verde mais cansado.A vida será uma folha em brancoe não poderei timbrá-la com minha palavra. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 05/05/2020 Mais…
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William Butler Yeats – A torre

1O que farei com esta absurdidade,Esta caricatura, coração?Decrepitude atada à minha idadeComo à cauda de um cão?Jamais terei sentidoTão grande, tão apaixonada, tão incrívelA fantasia, nem houve olho e ouvidoQue mais quisessem o impossível –Não, nem quando menino, com inseto e anzol,Ou mais humilde verme, no alto de Ben Bulben,Eu tinha a desfrutar todo um…
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Jeffrey Harrison – Um gole de água

“Um gole de água”, um poema de Jeffrey Harrison sobre a poderosa conexão entre gerações através de um gesto simples e cotidiano.
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Laurie Lee – A sombra abandonada

Percorrendo a sombra abandonadadas habitações da minha infância,meus ouvidos relembram o badalar,ouvindo suas vozes soterradas. Ouço o verão primordial,as margens da aurora iluminadas por aves,o pulsar de sangue da escrevedeira-amareladourando meus olhos de berço. Ouço a lua-de-estanho subire a moeda do crepúsculo cair,o rastejar da geada e o gemidodo degelo e o pio dos piscos…
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José Miguel Silva – Tudo coisas mortais para a poesia

A casa, o lume, o sono dobradodo corpo feliz, a cesta de figos,a curva do rio, a fotografiano cimo do monte, a veracidadedas glicínias, o rosto da mãe,a fava no bolo, o trunfo de copas,o filme da tarde, a música nova,o rasto da chuva por entre os pinheiros,as aves que voltam, os dias que passamperto…
