Categoria: Poema
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Ana Martins Marques – Sem Título

Porque sua camiseta secou ao sol ela tem a cor do sol porque seus cabelos secaram ao vento seus pensamentos têm a velocidade do vento porque você disse “noite” sua boca terá o gosto do mar noturno porque você não conheceu meu avô você me amará menos porque não te conheci quando criança eu te…
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Petrarca – Soneto CXXXIII (“O Amor me Assinalou com sua Seta”)

O amor me assinalou com sua seta,como a neve ao sol, como a cera ao fogo,como névoa ao vento; e já estou rouco,dama, de humilhar-me, feito um pateta. De teus olhos o golpe mortal veio,contra o qual tempo e espaço nada são;Vêm de ti, e vês como diversão,o sol, o fogo e o vento aos…
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Petrarca – Soneto CCLXXII

A vida foge e não recua um passoE a morte, em grande marcha, vai em frente;As coisas do passado e do presente,Ao futuro reclamam meu espaço. A jornada que nesta vida eu traçoNa espera e na lembrança inutilmente,Por pena de mim mesmo descontenteEste caminho que ora fiz, desfaço. Se à lembrança me vem algum desejoDo…
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Lucrécio – Da Natureza das Coisas (de rerum natura) (excerto)

Coisa nenhuma subsiste, mas tudo flui. Fragmento ajusta-se a fragmento e as coisas assim crescem Até que as conhecemos e nomeamos. Fundem-se, e já não são as coisas que conhecêramos. Formados dos átomos que caem velozes ou lentos Vejo os sóis, vejo os sistemas se ordenarem; É sólido que a natureza está em nós até…
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Federico García Lorca – 1910 (Intermezzo)

“1910 (Intermezzo)”, um poema de Federico García Lorca que revisita o olhar inaugural da infância para revelar, entre imagens oníricas e presságios, o vazio oculto no curso inevitável das coisas.
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Charles Baudelaire – A Giganta

Pois quando a Natureza, em seu capricho exato, Gerava estranhos seres raros, dia a dia, Uma giganta moça – eis do eu gostaria, Para viver-lhe aos pés com a volúpia de um gato. Ver seu corpo florir com a flor de sua alma E crescer livremente em seus terríveis jogos; Ver se não teria no…
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Goethe – Pensamentos Noturnos

Tão belas na rútila luz soberana, Guia do navegante aflito, sem norte (E sem recompensa, divina ou humana), – Tenho dó de vocês, estrelas sem sorte, Sem jamais amar e sem saber do amor! Tangendo, incansáveis, as horas eternas Na ronda do tempo das vastas esferas, Vocês vão cumprindo percursos sem conta. Mas eu, se…
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Thomas Hardy – Acaso

Se ao menos do alto me chamasse um deus De ódio, e risse: “Ó homem coisa-dor, Teu sofrimento é o júbilo dos céus, Teu deve-amor é o meu haver-rancor”, Eu me conformaria, indo ao extremo De não dobrar-me, réu de um juiz verdugo, Mas orgulhoso que um poder sumpremo Me obrigasse a gemer sob o…
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William Carlos Williams – A Árvore sem Folhas

A cerejeira sem folhas mais alta que o teto deu ano passado muita fruta. Como falar porém de fruta diante desse esqueleto? Embora possa estar vivo não há fruta nele. Por isso derrubem-no e usem a lenha contra este frio cortante. Trad.: José Paulo Paes The bare tree The bare cherry tree higher than…
