Categoria: Poema
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Automedon – da “Antologia Grega”

Mandaste chamá-la, disseste para vir, preparaste tudo. Mas, se vier, o que farás? Repara no que se passa contigo, Automedon. Esse canalha, que era alegre e firme, está agora flácido, como cenoura cozida, morto e encolhido entre as pernas. Como irão rir se te puseres a navegar de mãos vazias, um remador que perdeu o…
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Marcus Argentarius – da “Antologia Grega”

Psyllas jaz aqui. A sua ocupação proxeneta; mantinha um bando de raparigas e alugava-as para festas. Um negócio pouco simpático, ganhar dinheiro com carne humana e fraca. Mas poupem o seu túmulo, não atirem pedras, agora que está morto e enterrado. Lembrem-se disto: os serviços que prestou convenceram os rapazes a deixarem as nossas mulheres…
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Platão – da “Antologia Grega”

Eu, Lais, que escarneci dos gregos e enxame de amantes retive à porta, ofereço a Afrodite o meu espelho. Não olharei para esta cara e não consigo ver a anterior. Versão: José Alberto Oliveira
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Zenodotus – da “Antologia Grega”

Quem esculpiu o Amor e o colocou junto desta fonte, pensaria que poderia subjugar, com água, tal fogo? Versão: José Alberto Oliveira
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Eunice de Souza – Alvorada 2

Falamos através de continentes. É pouco provável que nos voltemos a encontrar. Não posso fumar, não posso viajar, nenhuma felicidade claro. Sentindo um vento frio nas costas renunciamos à filosofia. Acabaram os amantes errantes, maridos, passarões não propriamente sensatos. Ainda temos a idade com que nos conhecemos. Trad.: Francisco José Craveiro de Carvalho
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Eugénio Andrade – Passamos pelas coisas sem as ver

Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos.
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Manuel António Pina – Sob Escombros

Um tempo houve em que, de tão próximo, quase podias ouvir o silêncio do mundo pulsando onde tu também eras mundo, coisa pulsante. Extinguiu-se esse canto não na morte mas na vida excluída da clarividência da infância e de tudo o que pulsa, fins e começos, e corrompida pela estridência e pela heterogeneidade. Agora respondes…
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John Mateer – s/ título

Este poema vai ser escrito com um livro de fotografias em mente, comemorando esse retrato da jovem estudante de história de arte que se tornaria a mulher do fotógrafo, a mãe do seu filho, ela que se atiraria de uma janela do apartamento deles, e que, por ter existido, proliferaria, como tudo o que pode…
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Jaime Sabines – Algo sobre a Morte do Major Sabines

Primeira Parte I Deixa-me repousar, relaxar os músculos do coração e colocar a alma para dormir para poder falar, para poder recordar estes dias, os mais longos dos tempos. Mal convalescemos da angústia e estamos fracos, assustados, despertando duas ou três vezes do nosso escasso sonho para ver-te na noite e saber que respiras. Precisamos…
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Vitor Nogueira – Domingo

Acordamos com o céu encostado no ouvido, nuvens que ladravam e mordiam o domingo, a partir do alto das montanhas. E aqui continuamos, agarrados a nós próprios, como dois miúdos que não têm para onde ir. Estamos presos ao sofá unicamente porque sim, nem tristes nem alegres, metidos no roupão e nos chinelos, pequenos cadeados…