José Emílio Pacheco – Crianças e adultos

Aos dez anos achava
que o mundo era dos adultos.
Podiam fazer amor, fumar, beber à vontade,
ir aonde quisessem.
Sobretudo, esmagar-nos com seu poder indomável.

Agora sei, por vasta experiência, o lugar comum:
em verdade, não há adultos,
só crianças envelhecidas.

Querem o que não têm:
o brinquedo do outro.
Sentem medo de tudo.
Sempre obedecem a alguém.
Não dispõem de sua existência.
Choram por qualquer coisa.

Mas não são valentes como eram aos dez anos:
fazem-no à noite e em silêncio e sozinhos.

Trad.: Nelson Santander

Niños y adultos

A los diez años creía
que la tierra era de los adultos.
Podían hacer el amor, fumar, beber a su antojo,
ir a donde quisieran.
Sobre todo, aplastarnos con su poder indomable.

Ahora sé por larga experiencia el lugar común:
en realidad no hay adultos,
sólo niños envejecidos.

Quieren lo que no tienen:
el juguete del otro.
Sienten miedo de todo.
Obedecen siempre a alguien.
No disponen de su existencia.
Lloran por cualquier cosa.

Pero no son valientes como lo fueron a los diez años:
lo hacen de noche y en silencio y a solas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s