Mês: abril 2019
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Giuseppe Ungaretti – Céu claro

Bosque de Courton, julho de 1918 Depois de tanta névoa uma a uma se desvelam as estrelas Respiro o frescor que me deixa a cor do céu Me reconheço imagem passageira Presa de um ciclo imortal Trad.: Geraldo Holanda Cavalcanti Giuseppe Ungaretti – Sereno Bosco di Courton luglio 1918 Dopo tanta nebbia a una a…
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Raymond Carver – A cabine telefônica

Ela desaba na cabine, chorando no telefone. Perguntando uma coisa ou outra, e chorando um pouco mais. Seu companheiro, um camarada mais velho, usando jeans e camiseta, aguarda em pé a sua vez de falar, e chorar. Ela passa o telefone para ele. Por um minuto eles ficam juntos na minúscula cabine, as lágrimas dele…
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Joan Margarit – O ano em que ela morreu

Na fotografia em sépiaés jovem e sorri. Faz-me lembraras mulheres dos filmes de guerrada minha infância:barcos na neblina, trens noturnose grandes cidades sob o alarme aéreo.Na lápide está escrito que ela se foino inverno de 44,aos vinte anos, quando me apaixonavapela sufocante escuridãocruzada por um raio de luz, a heroínados sonhos de amor de minha…
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Manuel António Pina – Corpo presente

Toda a casa suspendera a respiração incapaz de conter tamanha desproporção, e eu próprio desaparecera algures na sala, entre a tua vida e a tua morte. Atenderam o telefone falando baixo, temendo que regressasse cada coisa do teu lugar sem estar prontos ainda para a tua solidão. Faltava muito para podermos perceber, muitos passos para…
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Paulo Henriques Britto – Plaudite, amici

Seria muito bom saber sair de cena sem fazer cenas, sem roubar a cena, sem atropelar sequer um figurante. Pena que nessas horas se improvisa, e que ninguém respeita nada quando foge do roteiro. Mesmo os maiores canastrões têm seu momento de glória, de prima-donismo o mais rasteiro e o mais justificável. Pois na vida…
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Nuno Júdice – É isto o amor

Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a manhã da minha noite. É verdade que te podia dizer: “Como é mais fácil deixar que as coisas não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos apenas dentro de nós próprios?” Mas ensinaste-me a sermos dois; e a…
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Luís García Montero – Resumo dos fatos

Falei com a morte por telefonee recebi e-mails de amor que foram apagadossem deixar uma única lágrima em papel amarelo.Ninguém esqueça os tempos, mas ninguém se engane:no final, apenas o amor e a morte importam. Trad.: Nelson Santander Resumen de los hechos He hablado con la muerte por teléfonoy he recibido e-mails de amor que…
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Fernando Assis Pacheco – Respiração Assistida

Eu vi a morte de noite – névoa branca – entre os frascos do soro rondar a minha cama era um trasgo e como tal metera-se pelas frinchas; noutra versão coando-se através dos nós da madeira ou noutra ainda imitando à perfeição o gorgolejar da água nos ralos: eu tremia covardemente enquanto ela raspava a…
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Carlos Poças Falcão – A luz coada num pano negro

Lamenta-te, pois já não é alegre o vento sobre os campos. Não há descoberta nem transfiguração quando o calendário vem com as primícias. Lamenta-te, lamenta-te. Já não tens a nudez certa nem a fragrância antiga.
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Paul Verlaine – Chanson D’Automne (em seis traduções)

Canção do Outono (Trad.: Alphonsus de Guimaraens) Os soluços graves Dos violinos suaves Do outono Ferem a minh’alma Num langor de calma E sono. Sufocado, em ânsia, Ai! quando à distância Soa a hora, Meu peito magoado Relembra o passado E chora. Daqui, dali, pelo Vento em atropelo Seguido, Vou de porta em porta, Como…