Tag: vanitas
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Carlos Drummond de Andrade – Coisa Miserável

Coisa miserável, suspiro de angústia enchendo o espaço, vontade de chorar, coisa miserável, miserável. Senhor, piedade de mim, olhos misericordiosos pousando nos meus, braços divinos cingindo meu peito, coisa miserável no pó sem consolo, consolai-me. Mas de nada vele gemer ou chorar, de nada vale erguer as mãos e olhos para um céu tão longe,…
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Affonso Romano de Sant’Anna – Que País é Este?

Que País é Este?, um poema de Affonso Romano de Sant’Anna, realiza uma vasta investigação poética sobre a formação histórica, cultural e política do Brasil.
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Jorge Luis Borges – Aqui. Hoje.

Já somos o esquecimento que seremos. A poeira elementar que nos ignora e que foi o ruivo Adão e que é agora todos os homens e que não veremos. Já somos na tumba as duas datas do princípio e do término, o esquife, a obscena corrupção e a mortalha, os ritos da morte e as…
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William Shakespeare – do Macbeth (excerto)

Amanhã amanhã amanhã amanhã Rasteja em passo parco dia a dia Até a última sílaba do Tempo. E os ontens, todos, só nos alumiam O fim no pó. Apaga, apaga, vela Breve! A vida é só uma sombra movel. Pobre ator Que freme e treme o seu papel no palco E logo sai de cena.…
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Carlos Drummond de Andrade – Consolo na Praia

Vamos, não chores. A infância está perdida. A mocidade está perdida. Mas a vida não se perdeu. O primeiro amor passou. O segundo amor passou. O terceiro amor passou. Mas o coração continua. Perdeste o melhor amigo. Não tentaste qualquer viagem. Não possuis carro, navio, terra. Mas tens um cão. Algumas palavras duras, em voz…
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Cassiano Ricardo – Os Futuricidas

Sois o Bloco dos Suicidas.Paradoxo pensar que todo suicí- dio será a morte de Deus em nós. Nós não. Vamos salva-l’Oda hecatombe em que, afinal, tudo tombe.Nós O queremos vivo e salvo mesmo escanhoado dequalquer ornamento, pluma ou liturgia. Calvo.Sem nenhum arco-íris na cabeça ou púrpura.Não esquartejado numa vila ricaou atado ao rabo de um…
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Algernon Charles Swinburne – O Jardim de Proserpina

Leia “O Jardim de Proserpina”, de Algernon Charles Swinburne, um clássico da poesia vitoriana sobre morte, esquecimento e o anseio pelo repouso eterno.
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Janus Vitalis – Sobre Roma

Recém-chegado que, buscando Roma em Roma, não encontras, em Roma, Roma alguma, olha ao redor, muro e mais muro, pedras rotas, ruínas, que assustam, de um teatro imenso: é Roma isto que vês – cidade tão soberba, que ainda exala ameaças seu cadáver. Vencido o mundo, quis vencer-se e, se vencendo, para que nada mais…
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Carlos Drummond de Andrade – Carta

Bem quisera escrevê-la com palavras sabidas, as mesmas, triviais, embora estremecessem a um toque de paixão. Perfurando os obscuros canais de argila e sombra, ela iria contando que vou bem, e amo sempre e amo cada vez mais a essa minha maneira torcida e reticente, e espero uma resposta, mas que não tarde; e peço…
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Carlos Drummond de Andrade – A Máquina do Mundo

E como eu palmilhasse vagamente uma estrada de Minas, pedregosa, e no fecho da tarde um sino rouco se misturasse ao som de meus sapatos que era pausado e seco; e aves pairassem no céu de chumbo, e suas formas pretas lentamente se fossem diluindo na escuridão maior, vinda dos montes e de meu próprio…