Tag: Solidão
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Nuno Júdice – Poema (Arredores)

A brancura dos ossos, em contraste com a terra argilosa, com a erva, com a parede arruinada, faz-me lembrar leite, papel, cal, e também as tuas mãos – frias. Bebo o seu brilho numa noturna memória. Uma contaminação de corpos não reduz a minha solidão; nem a música, nem o riso, nem o vinho. Lágrimas…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Espera

Dei-te a solidão do dia inteiro. Na praia deserta, brincando com a areia, No silêncio que apenas quebrava a maré cheia A gritar o seu eterno insulto, Longamente esperei que o teu vulto Rompesse o nevoeiro.
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Paulo Henriques Britto – Nenhum Mistério

I Não chega a ser desespero, mas não por haver esperança. Falta a ênfase, o tempero, o sal da intemperança, sem o qual não é iguaria à altura de grandes gestos. É mais da categoria das migalhas, dos restos. Pois dessa matéria escassa há que se tirar sustância. (Até mesmo na desgraça é pra poucos…
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Joan Margarit – A Espera

Tantas coisas estão sentindo tua falta. Assim preenchem-se os dias, instantes feitos de esperar por tuas mãos, de sentir falta de tuas pequenas mãos, que pegaram nas minhas tantas vezes. Temos de nos acostumar com tua ausência. Um verão já passou sem teus olhos e o mar também haverá de acostumar-se. Tua rua, ainda por…
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Joan Margarit – A moça do semáforo

Tens a mesma idade que eu tinha quando comecei a sonhar em encontrar-te. Então ignorava, assim como tu o ignoras, que o amor se transforma na arma carregada de solidão e de melancolia que agora está apontada para ti nos meus olhos. Tu és a moça que busquei durante tanto tempo quando ainda não existias.…
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Chico Amaral e Samuel Rosa – As Noites
As ruas desse lugar Conhecem bem As noites longas, as noites pálidas Quando eu te procurava As casas desse lugar Se lembrarão Do nosso abraço, da sombra insólita Espelho azul no chão As ruas desse lugar Agora eu sei Sempre escutaram a nossa música Quando eu te respirava As pedras municipais Se impregnaram Da dupla…
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Joan Margarit – Era Rubra

A Àlex Susanna Tanto tempo demoraste a aprender que estás atrasado para o grande amor: que nunca viveste uma era de ouro. As rosas de Ronsard jamais serão perfume em teu olhar, nenhum outono haverá de desfolhar morosas pétalas nos braços de ninguém. Com negligência tapas os espelhos como era costume em casas onde havia…
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Joan Margarit – A partida
Definitivamente, este é o meu Outono, um tempo de alianças impossíveis, a era rubra de todos os perigos para homens maduros e mulheres solitárias. A idade do adultério e da desmemória sem nenhuma esperança, a era do gelo, a partida final contra mim mesmo. Mantenho-me à mesa, sem esperar pela sorte, já não há chances…
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Miquel Martí i Pol – Tua Solidão

Enquanto puderes, não desperdices tua solidão, dedicando-a a uma absurda busca do nada, nem persigas a ti próprio obsessivamente por escuras galerias. Assustado pela luz dos preceitos. Sai no sol a pino e olha para as coisas difíceis. Considera que o jogo desmedido das palavras não te servirá de nada se não te apoiares naquilo…
