Tag: Morte
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Dana Gioia – Obrigado por se lembrar de nós

As flores enviadas para cá por engano,assinadas com um nome que ninguém conhece,estão murchando. O que faremos?Nossa vizinha diz que não são para ela,e ninguém está perto de fazer aniversário.Deveríamos agradecer a alguém pelo equívoco.Será que um de nós está tendo um caso?A princípio rimos, depois nos perguntamos. A íris foi a primeira a morrer,envolta…
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Konstantinos Kaváfis – Vozes

Vozes queridas, vozes ideaisdaqueles que morreram ou daqueles que estãoperdidos para nós, como se mortos. Eles nos falam em sonho, algumas vezes;outras vezes, em pensamento as escutamos. E, quando soam, por um instante eis que retornamos sons da poesia primeva em nossa vida,qual música distante que se perde noite afora. Trad.: José Paulo Paes REPUBLICAÇÃO:…
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Joan Margarit – Último trem

Último tremCrematório de Collserola Se visses a chuva que envernizao verde escuro e espesso do jardim.Teu vagão solitário está chegandoà sala espaçosa, sem adornos,mobiliário, ou luminárias,da Estación de Francia da morte.Só se escuta o murmúrio do motorque arrasta o pesoda infância e da juventude– de teu anônimo tempo, já perdido,que nunca mais será reclamado –,rumo…
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Eamon Grennan – Uma manhã

Procurando pedras raras, dei com a lontra mortaapodrecendo na linha da maré, e carreguei pelo resto do dia o odor desta brutaldespedida. Aquele som lancinante e agudo do ostraceiroecoava pela enseada rochosaonde um cormorão se alimentava e submergia na baíae de onde uma garça-real alçou voo de um rochedo onde estivera invisível,pairou um tempo, e…
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William Butler Yeats – Leda e o cisne

Súbito, um baque: as grandes asas brancasPousam sobre a jovem, e a agarram com jeito,As patas negras lhe afagam as ancasE a estreitam, impotente, contra o peito. Com dedos trêmulos, como afastarDas coxas fracas o esplendor plumado?E como não sentir a palpitarO estranho coração, desabalado? Um espasmo ― e eis que se gera um novo…
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Brian Turner – Quão brilhante é

Abril. E o ar secoComo as espáduas de um búfalo-d’água. Gafanhotos arranham a terra,esfregam as asas com pernas finas,irrompendo à frente dos soldadosem voos rasantes em arco, as asas um borrão. Os soldados já não percebem,veem apenas os escombros das ruas,corpos cobertos por lençóis, e o sol,quão brilhante é, quão duro e plano e branco.…
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David Ignatow – Para a minha filha

Quando eu morrer, escolhe uma estrelae dá-lhe o meu nomepara que saibas quenão te abandoneinem te esqueci.Foste para mim uma estrela,guiando-me pelo teu nascimentoe infância, minha mãona tua mão. Quando eu morrer,escolhe uma estrela e dá-lheo meu nome para que eu possa brilharsobre ti, até que te juntes a mimna escuridão e no silênciojuntos. Trad.:…
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Joan Margarit – A combinação

Sozinha entre dois infernos— o da liberdade e o da idade —,já não consigo abrir nosso cofre.A porta com seus números giratóriosé a roleta em que já não aposto.Desde o primeiro suspiro conserveia blindada clarezadaquela rosa.Agora, nua em nosso quarto,a janela aberta e a luz apagada,ouço o rumor urbano da noite,enquanto a leve brisa me…
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Linda Pastan – Em um país do norte

“Em um país do norte”, um poema de Linda Pastan – uma reflexão melancólica sobre a passagem do tempo, a morte e a perda de identidade.
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Linda Pastan – Revelação

“Revelação”, um poema de Linda Pastan: a visita ao cemitério onde estão sepultados seus parentes desencadeia uma série de reflexões sobre o passado, a perda e o sentido de pertencimento.