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Homero Aridjis – Pela Porta Verde

Pela porta verde Para Eva Sofia Sou um indocumentado da eternidade.Sem papéis, ultrapassei as fronteiras do tempo.Detido pelos agentes de imigração do nascimentoe da morte, lancei-meao tabuleiro de xadrez dos dias.Fiscais astutos, em busca de lembranças valiosas,vasculharam minha bagagem de sombras.Nada a declarar. Nada a lamentar.Passei pela porta verde. Trad.: Nelson Santander Mais do que…
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Nicolás Guillén – Um poema de amor

“Um poema de amor”, um poema de Nicolás Guillén que narra o reencontro arrebatador de dois amantes marcados pelo tempo e pela impossibilidade, explorando o desejo contido, a despedida inevitável e a intensidade fatal de um amor vivido à beira do abismo.
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Vijay Seshadri – Chaleiras Reluzentes de Cobre

Amigos mortos voltando à vida, famílias falecidasfalando línguas vivas e mortas, suas mentes retentivas,os cinco sentidos intactos, suas pegadas como as de borboletas,a compaixão brilhando em rostos indulgentes —esta é uma das minhas coisas favoritas.Gosto tanto disso que passo o tempo todo dormindo.Lua de dia e sol à noite me encontram dispersonos sonhos profundos onde…
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Ian Hamilton – Vizinhos

Das janelasDo decadente hotel do outro lado da ruaMisteriosos hóspedes noturnos emergemEm suas varandasPara aspirar o ar fresco da noite. Nós os deixamos nos observarEm nossas vidas pacatas.Eles nos permitem imaginaro que o destino lhes reservou. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 05/06/2019 Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique,…
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Ada Limón – A capa de chuva

“A capa de chuva”, um poema de Ada Limon que revisita uma lembrança da infância para refletir sobre os gestos invisíveis de amor e proteção que sustentam uma vida.
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Larry Levis – Estrelas de Inverno

Certa vez, meu pai quebrou a mão de um homemNo escapamento de um trator John Deere. O homem,Rubén Vásquez, queria matar o próprio paiCom uma faca de fruta afiada, & seguravaDe leve a ponta curva entre os doisPrimeiros dedos, para que pudesse rasgarHorizontalmente, & com surpreendente graça,Uma garganta de lado a lado. Era como um…
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Manuel António Pina – Café do molhe
Perguntavas-me(ou talvez não tenhas sidotu, mas só a tinaquele tempo eu ouvia) por que a poesia,e não outra coisa qualquer:a filosofia, o futebol, alguma mulher?Eu não sabia que a resposta estavanuma certa estrofe deum certo poema deFrei Luis de Léon que Poe (acho que era Poe)conhecia de cor,em castelhano e tudo.Porém se o soubesse de…
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W. S. Merwin – Solstício

Dizem que apesar de tudoo sol retornaráà meia-noitemeu único amor mas sabemos como os minutosvoam pelas árvores escurase desaparecem como as majestosas ‘ohias e os saís-verdese sabemos como as semanascaminham nas sombras ao meio-dia ao pensar nos meses toco sua mãoalgo que nãose diz observamos os pássaros vermelhos pela manhãjuntos esperamospelo silencioso diao ano se…
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Konstantinos Kaváfis – Velas

Os dias futuros se erguem diante de nóscomo uma fileira de velas acesas –douradas, vivazes, cálidas velas. Os dias do passado ficaram tão para trás,fúnebre fileira consumidaonde as mais próximas ainda fumam,velas frias, retorcidas e desfeitas. Não quero vê-las; seu aspecto me aflige,me aflige recordar sua luz primeira.Vejo diante de mim as velas acesas. Não…
