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Adam Tedesco – Pânico

A beleza da vida é quesempre alguém está morrendo Do lado de fora, uma abelhaescreve meu nome em mel Às vezes, os truques se desfazem sozinhose é por isso que os chamamos de mágica Às vezes, as pessoas dizem mágicoquando querem dizer sexual Do outro lado da porta, um animal escrevemeu nome com o sangue…
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Idea Vilariño – Não mais

Não mais seránão maisnão viveremos juntosnão criarei teu filhonão coserei tua roupanão te terei à noitenão te beijarei ao partirnunca saberás quem fuipor que outros me amaram.Não chegarei a saberpor que nem porque nuncanem se era verdadeiroo que disseste que eranem quem fostenem o que fui para tinem como teria sidovivermos juntosamarmo-nosesperarmo-nosestarmos juntos.Agora não sou…
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Konstantinos Kaváfis – Troianos

Nossos esforços – nós, desventurados – são,nossos esforços, como os dos troianos.Algum êxito obtido, alguma empresaassumida, e eis que começamosa encher-nos de esperanças, de coragem. Algo surge, porém, que nos irá deter.Emerge Aquiles da trincheira à nossa frentee com seus gritos de assustar põe-nos em fuga. Nossos esforços são os dos troianos.Cremos que, com audácia…
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Nâzim Hikmet – O último ônibus

Meia-noite. O último ônibus.O condutor rasga os bilhetes.Não me esperam em casa nem uma má notícianem a fartura da bebida.Para mim, é a partida que espera.Caminho em direção a ela sem medoou tristeza. A escuridão imensa se aproxima de mim.Posso olhar para o mundocalma e serenamente, agora.Já não me surpreende a traição de um amigo,a…
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E. C. Belli – Revelação

Eu escapei do granito foscoe alcancei seu rosto caçandoem algum tipo de território inóspito.Que estranho campo de jogo é esteque deixa seu oponente derrotadoe desesperançado assim. É da alegria que precisamospara temperar toda essa revelação da verdade.Talvez mentiras sejam o melhor caminho.Talvez mentiras não sejam realmente tão ruinsquanto parecem ser. Penso que honestidadeé apenas uma…
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Daniel Faria – Infância

e jogava o pião com Deusenquanto minha mãe estendia roupae o meu pai mendigava o pão e minha alegria nesse tempoera muito próxima da dos meninose de Deus que ganhava sempre e não sei quem perdi primeiro: o pião ou Deusapenas sei que Deus continuaa jogar com outros meninos e que no Outono quando saio à…
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Mark Strand – A história

É a velha história: queixas sobre a luaafundando no mar, sobre as estrelas desvanecendo na primeira luz,sobre o gramado molhado de orvalho, o frio e prateado gramado. E por aí vai: um homem olha para a própria sombrae afirma serem as cinzas de si mesmo se desprendendo, diz que seus diassão os verdadeiros buracos negros…
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Joshua Poteat – Ferrotipia

FERROTIPIA Florestas inteiras foram para o mar disfarçadas de navios. Mares inteiros foram para as florestas Disfarçados de tempo. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog TINTYPEWhole forests went to sea disguised as ships. Whole seas went to forestdisguised as…
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Luis Alberto de Cuenca – O véu protetor

Amanheceu e nós estávamos dentroda vil realidade, o que não podeser bom. Melhor seria que passassemlogo as horas inúteis em que o diaproscreve a aventura com as normasdo tédio laboral, e que voltassema noite e as suas estrelas a envolver-nosno seu véu fantástico e a dar-nosa inútil sensação de estarmos vivos. Trad.: Miguel Filipe Mochila…
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Jim Harrison – Transformação

Nenhum lugar é o mesmo de ontem.Nenhum de nós é o mesmo de ontem.Por fim, morremos pela exaustão da transformação.Este júbilo celular em declínio é compartilhadopelo vento, insetos, aves, ursos e rios,e talvez pelos buracos negros no espaço galácticoonde nossas almas serão todas reunidas em um invisíveldedal de antimatéria. Mas não vamos nos precipitar.Sim, as…