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A. A. Milne – Narciso

Ela vestiu seu chapéu-de-sol,E pôs o seu mais verde vestido;Virou-se para o vento australE prestou-lhe o cortejo devido.Virou-se então para a luz do solE os cabelos louros agitou,E sussurrou para o seu vizinho:“O inverno acabou” Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 14/07/2019 Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre…
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Audre Lorde – Herança — dele

I.Meu rosto se parece com seu rostocada dia menos. Quando eu era jovemninguém se enganava sobre de quem eu era filha.Traços porte corsó eu entre minhas irmãs de pele cremosa e ossos delicados,me marcavam como filha de Byron. Nenhum sol se pôs quando você morreu, mas uma portase abriu para minha mãe. Depois que você…
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Ferreira Gullar – Pela rua

Sem qualquer esperançadetenho-me diante de uma vitrina de bolsasna Avenida Nossa Senhora de Copacabana, domingo,enquanto o crepúsculo se desata sobre o bairro.Sem qualquer esperançate espero.Na multidão que vai e vementra e sai dos bares e cinemassurge teu rosto e somenum vislumbre e o coração dispara.Te vejo no restaurantena fila do cinema, de azuldiriges um automóvel, a…
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Charles Wright – Depois de ler Tu Fu, saio para o Mini Pomar

A leste e a oeste de mim, pleno verão.Quão mais intenso é o crepúsculo em nosso próprio quintal.Aves voam de um lado para o outro pelo gramado à procura de larEnquanto a noite se aproxima como um pequeno bote.Dia após dia, sou de menos valia para mim mesmo.Como este tordo, voo de uma coisa para…
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José Paulo Paes – Borboleta

Mal saíra do casulopara mostrar ao solo esplendor de suas asasum pé distraído a pisou. (A visão de belezadura um só instanteinesquecível.) REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 12/07/2019 Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog
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Fleur Adcock – O Hospital Soho para Mulheres (IV)

Estou no supermercado, hesitante –nesta tarde, precisamente nela –entre os tomates, o queijo e os pães, coisas que uso como ingredientespara preparar meu jantar, e elascomem na cama suas refeições: Janet com seus grandes sardos seios,sua voz escocesa encoberta,que nunca esteve em um hospital, lá foi fazer alguns exames, veio,mas sua alta agora é incerta;na…
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Maria do Rosário Pedreira – Onde quer que o encontres

Onde quer que o encontres –escrito, rasgado ou desenhado:na areia, no papel, na casca deuma árvore, na pele de um muro,no ar que atravessar de repentea tua voz, na terra apodrecidasobre o meu corpo – é teu, para sempre, o meu nome. REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 10/07/2019 Mais do que uma leitura,…
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Roo Borson – Livrai-nos

Livrai-nos da noite,das infindáveis e sombriasrodovias, e dos oásisnéon dos postos de gasolina,do ronco dos motoresimortais após a meia-noite,quando o tempo perde o sentido,dos cafés da madrugada,suas tortas macabras,e do babado alaranjado noavental da garçonete,das cadeiras de plástico combinando,do laranja e do marrom e detodos os tons sobrenaturais,banindo-os de volta ao tubo de ensaio,livrai-nos deles,daqueles…
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Czeslaw Milosz – A queda

A morte de um homem é como a queda de uma poderosa naçãoQue teve valentes exércitos, capitães e profetas,E ricos portos e barcos em todos os mares,Mas agora não socorrerá nenhuma cidade sitiada,Não entrará em nenhuma aliança, Porque suas cidades estão vazias, sua população dispersa,Sua terra que certa vez proveu de colheitas está saturada de…
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Adam Zagajewski – Tente louvar o mundo mutilado

Tente louvar o mundo mutilado.Lembre-se dos longos dias de junho,dos morangos silvestres e das gotas de vinho rosé.Das urtigas que metódicas invademas propriedades abandonadas dos exilados.Você deve louvar o mundo mutilado.Você observou os elegantes iates e navios;um deles tinha uma longa jornada pela frente,enquanto o salino esquecimento aguardava os demais.Você viu os refugiados indo a…