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Manuel António Pina – Amor como em Casa

“Amor como em Casa”, um poema de Manuel António Pina que retrata o amor como um regresso íntimo e familiar, onde a saudade, os gestos cotidianos e a ternura constroem a sensação de entrar no sentimento como quem volta para casa.
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Harryette Mullen – Não somos responsáveis

Não somos responsáveis por seus parentes perdidos ou sequestrados.Não podemos garantir a sua segurança se desobedecer às nossas instruções.Não apoiamos as causas de pessoas pedindo esmolas.Reservamo-nos o direito de recusar serviços a qualquer um. Sua passagem não garante que honraremos suas reservas.Para facilitar nossos procedimentos, por favor limite sua bagagem de mão.Antes de decolar, por…
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Jane Hirshfield – O Homem Gentil

Vendi o relógio do meu avô,seu ouro rosado e padrões pontilhados,para ser derretido.Mecanismo irrecuperável.Tampa ausente.Corrente — deve ter havido uma —ausente.Seus números pintadoscom um único e habilidoso pincel.Dei corda à coroaantes de entregá-lo sobre o balcão.O homem gentil recebeuo que lhe trouxe como se fosse à Stasi*.Ele pesou o mel do tempo. * N. do…
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Linda Pastan – O almanaque das coisas derradeiras

Do almanaque das coisas derradeiraseu escolho o lírio-da-aranha-vermelhapela graça de sua efêmerafloração, embora eu mesmatema a brevidade, mas escolho O Cântico dos Cânticospor ter a polpadaquelas romãssobrevivido atoda geada do dogma. Escolho janeiro, com suas friaslições de paciência e desespero – eagosto, muito ensolarado para lições.Escolho um gole de vinho tintopara fazer meu coração disparar,…
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Joan Margarit – Despedida

Retirei tapetes e cortinas,todas as mesas onde há temposnão como nem escrevo.Removi os quadros e pintei as paredespara apagar os vestígios dos anos.Guardo alguns poucos livros. Sei bem quais.Destruícartas de amor que não me amavam mais.Silenciosos agora, os amoressão icebergs errantes do pensar.A casa, sem recantos para o medo,deixa meus olhos mais desnudos.Nada, nem a…
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Michelle Hulan – O universo, como em uma última canção para os corações solitários

Este poema foi inspirado em “People talk and talk more”1, de Eugenio Montale, e no ciclo de vida do nosso Universo. Há uma teoria segundo a qual a fase final do Universo é a denominada Era dos Buracos Negros, na qual esses fenômenos astronômicos deslizam lentamente pelo vácuo frio até não sobrar nada. Essa imagem…
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Lêdo Ivo – O Dia dos Homens

Viver é preciso.Não existe infernonem paraíso. Apenas o chão.E uma persistentechuva de verão. REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 10/08/2018
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Hala Alyan – Spoiler

Você pode diagnosticar o medo? A árvore vermelha que cresce do úteroaté a garganta? É um nervo longo, diz o médico. Há uma razão pela quala respiração ajuda: os músculos relaxam como um casamento defunto.Meus medos são básicos. Intoxicação alimentar em Paris. Saguões de hospitais.Meu marido rindo em outro quarto (a porta fechada).Durante dias, amparei meu…
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Sonja Åkesson – Primavera e Outono, Verão e Inverno

A grade que enferrujou.O pão que empedrou.O vento que correu em buscade uma caixa d’água. Primavera e outono, verão e inverno.Isso foi tudo. E é claro, a morte tambémsonolenta e bem empanturradacomo um gato castrado bocejandoenquanto as estações do ano vão e voltamdeixando um gosto amargoem nossas bocas. Trad.: Fernanda Sarmatz Åkesson REPUBLICAÇÃO: poema publicado…
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W.S. Merwin – Desejo

Por favor, um últimobeijo na cozinhaantes de apagarmos as luzes Trad.: Nelson Santander Nota sobre o poema: Merwin escreveu este pequeno poema imediatamente após a morte de sua esposa. Como é simples o desejo… de experimentar uma vez mais essa ocorrência aparentemente comum e cotidiana. Imagino isso como uma rotina noturna, um beijo ligeiro antes…