Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Hilda Hilst – Poemas aos homens do nosso tempo III

homenagem a Natalia Gorbanievskaya Sobre o vosso jazigo — Homem político — Nem compaixão, nem flores. Apenas o escuro grito Dos homens. Sobre os vossos filhos — Homem político — A desventura Do vosso nome. E enquanto estiverdes À frente da Pátria Sobre nós, a mordaça. E sobre as vossas vidas — Homem político —…
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Carlos Drummond de Andrade – O Retrato Malsim

O inimigo maduro a cada manhã se vai formando no espelho de onde deserta a mocidade. Onde estava ele, talvez escondido em castelos escoceses, em cacheados cabelos de primeira comunhão? Onde, que lentamente grava sua presença por cima de outra, hoje desintegrada? Ah, sim: estava na rigidez das horas de tenência orgulhosa, no morrer em…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Instante

Deixai-me limpo O ar dos quartos E liso O branco das paredes Deixai-me com as coisas Fundadas no silêncio
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Fundo do Mar

No fundo do mar há brancos pavores,Onde as plantas são animaisE os animais são flores. Mundo silencioso que não atingeA agitação das ondas.Abrem-se rindo conchas redondas,Baloiça o cavalo-marinho.Um polvo avançaNo desalinhoDos seus mil braços,Uma flor dança,Sem ruído vibram os espaços. Sobre a areia o tempo poisaLeve como um lenço. Mas por mais bela que seja…
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José Paulo Paes – Epitáfio para um banqueiro

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João Cabral de Melo Neto – A Mesa

O jornal dobrado sobre a mesa simples; a toalha limpa, a louça branca e fresca como o pão. A laranja verde: tua paisagem sempre, teu ar livre, sol tuas praias; clara e fresca como o pão. A faca que aparou teu lápis gasto; teu primeiro livro cuja capa é branca e fresca como o pão.…
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Pós-Tudo (Augusto de Campos) e Postudo (Nelson Santander)
Pós-Tudo, poema visual de Augusto de Campos e Postudo, de Nelson Santander, sua paródia atualizada para a pós-pós-modernidade
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Carlos Drummond de Andrade – Quero

Quero que todos os dias do ano todos os dias da vida de meia em meia hora de 5 em 5 minutos me digas: Eu te amo. Ouvindo-te dizer: Eu te amo, creio, no momento, que sou amado. No momento anterior e no seguinte, como sabê-lo? Quero que me repitas até a exaustão que me…
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Guilherme de Almeida – Soneto XXVII

Hoje voltas-me o rosto, se a teu lado passo; e eu baixo os meus olhos se te avisto. E assim fazemos, como se com isto pudéssemos varrer nosso passado. Passo, esquecido de teu olhar — coitado! Vais — coitada! — esquecida de que existo: como se nunca tu me houvesses visto, como se eu sempre…
