Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Laura Liuzzi – Fio Sem Fim

Chega-se, enfim, à última página embora deixe claro: não se chega ao fim. Um mesmo fio fino frágil mas firme, da mesma fibra de rio conduz memória e história: storage — está estendido para sempre e para sempre soará, suará a cada renovação do sol, mesmo quando atingirmos o final — mesmo assim não se…
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Adélia Prado – A Treva

Me escolhem os claros do sono engastados na madrugada, a hora do Getsêmani. São cruas claras visões às vezes pacificadas, às vezes o terror puro sem o suporte dos ossos, que o dia pleno me dá. A alma desce aos infernos, a morte tem seu festim. Até que todos despertem e eu mesma possa dormir,…
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Eugénio de Andrade – Adágio

O Outono é isto – apodrecer de um fruto entre folhas esquecido. Água escorrendo, quem sabe donde, ocasional e fria e sem sentido.
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José Saramago – É tão fundo o silêncio…

É tão fundo o silêncio entre as estrelas. Nem o som da palavra se propaga, Nem o canto das aves milagrosas. Mas lá, entre as estrelas, onde somos Um astro recriado, é que se ouve O íntimo rumor que abre as rosas.
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José Saramago – Diz tu por mim, silêncio

Não era hoje um dia de palavras, Intenções de poemas ou discursos, Nem qualquer dos caminhos era nosso. A definir-nos bastava um acto só, E já que nas palavras me não salvo, Diz tu por mim, silêncio, o que não posso. Conheça outros livros de José Saramago clicando aqui
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José Saramago – As Palavras de Amor

Esqueçamos as palavras, as palavras: As ternas, caprichosas, violentas, As suaves de mel, as obscenas, As de febre, as famintas e sedentas. Deixemos que o silêncio dê sentido Ao pulsar do meu sangue no teu ventre: Que palavra ou discurso poderia Dizer amar na língua da semente?
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Emmanuel Santiago – Lembro-me das Madrugadas

Lembro-me das madrugadas de Minas, quando o frio era vidro moído na carne e, lívido, o orvalho lustrava o gume das estrelas, que luziam no brilho sombrio do céu noturno (negro veludo). Através da neblina, em dança imóvel e milenar, tremulava o vulto oblíquo das montanhas. E aquilo era tudo que eu sabia do horizonte…
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Mario Cesariny – Os Pássaros de Londres

Os pássaros de Londres cantam todo o inverno como se o frio fosse o maior aconchego nos parques arrancados ao trânsito automóvel nas ruas da neve negra sob um céu sempre duro os pássaros de Londres falam de esplendor com que se ergue o estio e a lua se derrama por praças tão sem cor…
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Ricardo Silvestrin – Sem Título

Lá no horizonte, o ar frio. Mais perto de você, a saudade. Fotografias. Um quadro completo. Vale a pena ver só. A verdade é uma escultura, se você quiser anunciar.
