Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Miguel-Manso – No número de outubro da revista Wire

frente ao fotógrafo e ao leitor o homem envelhecido parece que já não olha Mitra o deus sol dos psicadélicos noutra foto no interior da revista o poeta está sentado a uma pequena mesa de frente para a janela onde as cortinas brancas filtram a luz e o ruído da rua sentado na cadeira de…
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Andreia C. Faria – San Cibrán de Las

Ainda aos sábados os homens passeiam pelo que resta das muralhas e as mulheres procuram vestígios – os pulsos nus, a canteira e a nascente de água, a paciência necessária a quem se alimentava desse pão É também este o meu plano para a velhice: ervas de que não sei o nome, a ruína interior…
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Gonçalo M. Tavares – uma síntese disto tudo

é porque existe o desejo, o olfato, e o medo, e os vivos apaixonam-se por outros vivos, e lembram-se, por vezes, do enorme número de mortos, e dentro destes há alguns que os fazem desligar a luz e o trabalho, e o quotidiano aí já não basta, porque o coração tem em certos dias um…
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Adelaide Ivánova – o elefante

quando johanna morreu tinha um ano e oito meses foi encontrada na piscina apertava um elefante na mão que sua mãe até hoje aperta muito embora o alzheimer lhe impeça de lembrar por que ela a mãe pulou na piscina ao ver johanna à deriva no ventinho do norte da renânia boiando na piscina que…
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Helena Zelic – Gaveta de Casa

Nossas fotos de infância boletins de nota azul três diários à chave hoje abertos duzentos milhões de pequenos museus da desimportância
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Eugénio de Andrade – Ao fim da tarde

Ninguém esperava ver o mar naquele dia mas era o mar que estava ali, à porta naqueles olhos.
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Manuel António Pina – Sérgio

Onde agora estás não alcançam o clamor dos magistrados nem a faca do assassino. A tua própria morte não te pertence já, é assunto nosso, desprovido e inerte. Que faremos nós com o teu inúmero corpo, como te diremos o que está a acontecer-te? Fechou-se qualquer coisa qualquer porta espessa e desabitada, a faca pôs…
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Andreia C. Faria – As mulheres têm formas mais curiosas

As mulheres têm formas mais curiosas Se eu montasse um circo, em vez de elefantes teria Senhoras com os seus diferentes peitos coxas e rabos, todo o corpo fingimento, adereço Senhoras com os seus diferentes almoços, amantes e diferentes níveis de tonificação da alma, rivais dos tigres desdenhosos, dos leões emparedados Em vez de macacos…
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Adelaide Ivánova – pro meu amante, quando atinge a maioridade

“Pro meu amante, quando atinge a maioridade”, um poema de Adelaide Ivanova que entrelaça amor, memória e consciência do tempo em uma celebração agridoce do amadurecimento.
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A. M. Pires Cabral – Não me mostres nenhum norte

Não me mostres nenhum norte nem estradas para lá: são tudo embustes. Mostra-me antes pedras, folhas mortas de Outono atapetando o chão das matas, voos de libelinha rasando o sol poente, cândidas risadas infantis. Quero eu dizer: mostra-me coisas daquelas que se corrompem sem pressa.