Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Renata Correia Botelho – o vento a rondar os dragoeiros

O Vento a Rondar os Dragoeiros, um poema de Renata Correia Botelho
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Carlos Drummond de Andrade – A um varão que acaba de nascer

Chegas, e um mundo vai-secomo animal ferido,arqueja. Nem apontaum forma sensível,pois já sabemos todosque custa a modelar-seuma raiz, um broto.E contudo vens tarde.Todos vêm tarde. A terraanda morrendo sempre,e a vida, se persiste,passa descompassada,e nosso andar é lento,curto nosso respiro,e logo repousamose renascemos logo.(Renascemos? talvez)Crepita uma fogueiraque não aquece. Longe.Todos vêm cedo, todoschegam fora do…
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Nuno Júdice – Réquiem por Muitos Maios

“Réquiem por Muitos Maios”, um poema de Nuno Júdice que evoca amigos boêmios marcados por excessos e autodestruição, refletindo sobre morte, saudade e a memória daqueles que viveram intensamente sem jamais compreender a própria vida.
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Manuel António Pina – Lugares da infância

Lugares da infância ondesem palavras e sem memóriaalguém, talvez eu, brincoujá lá não estão nem lá estou. Onde? Diantede que mistérioem que, como num espelho hesitante,o meu rosto, outro rosto, se reflecte? Venderam a casa, as floresdo jardim, se lhes toco, ficam hirtase geladas, e sob os meus passosdesfazem-se imateriais as rosas e as recordações.…
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Manuel António Pina – Ruínas

Por onde quer que tenha começado,pelo corpo ou pelo sentido,ficou tudo por fazer, o feito e o não feito,como num sono agitado interrompido. O teu nome tinha alturas inacessíveise lugares mal iluminados ondese escondiam animais tímidos que só à noite se mostravam,e talvez devesse ter começado por aí. Agora é tarde, do que podiater sido…
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Vítor Nogueira – Gelo

Agora é apenas um café com paredes adornadas,imagens retratando destemidos ancestrais.O tempo foi passando, não foi? Um acidenteem câmara lenta a uma escala cataclísmica. Grande parte daquilo que fazemos é construirmemória, uma promessa frágil ao futuro.E pensar que na vida acumulamos tanta coisa,sobretudo se por hábito não deitamos nada fora. Mas ninguém pode travar a…
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Nuno Júdice – Passado

Passou o vento, passou o dia,passou a noite e a manhã,passou o tempo, passou a gente,passou cada hora de amanhã; passou um canto esquecidonos cantos de cada passo,passou ao dizer que passosem se lembrar do compasso; passou a vida como se nada fosse,só passou e foi-se embora,passou à pressa, sem demora,e passou tudo a quem…
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Manuel António Pina – O Regresso

Como quem, vindo de países distantes fora desi, chega finalmente aonde sempre estevee encontra tudo no seu lugar,o passado no passado, o presente no presente,assim chega o viajante à tardia idadeem que se confundem ele e o caminho. Entra então pela primeira vez na sua casae deita-se pela primeira vez na sua cama.Para trás ficaram…

