Categoria: Poesia em Língua Inglesa
-
Charles Bukowski – Feras Saltando Através do Tempo

Van Gogh escrevendo para seu irmão pedindo tintas Hemingway testando seu rifle Céline fracassando como médico a impossibilidade de ser humano Villon expulso de Paris por ser um ladrão Faulkner bêbado pelas sarjetas da cidade a impossibilidade de ser humano Burroughs assassinando sua mulher com um tiro Mailer apunhalando a sua impossibilidade de ser humano…
-
John Keats – Ode sobre a Indolência

I Numa certa manhã eu vi as três as figuras, Curvadas, de perfil, mãos juntas, uma a uma,Seguindo atrás da outra, mudas e seguras, Sandálias suaves, vestes alvas, pés de pluma;Como formas de mármore em alto-relevo Sobre uma urna, foram-se, ao girar a face Do vaso; mas voltando ao ângulo anterior,Mostraram-se mais uma vez como…
-
John Keats – Do Endymion

O que é belo há de ser eternamente Uma alegria, e há de seguir presente. Não morre; onde quer que a vida breve Nos leve, há de nos dar um sono leve, Cheio de sonhos e de calmo alento. Assim, cabe tecer cada momento Nessa grinalda que nos entretece À terra, apesar da pouca messe…
-
Walter de la Mare – Os que Ouviam

‘Tem alguém em casa?’ indagou o Viajante Defronte à porta enluarada; Seu cavalo no silêncio ruminava o capim Da forragem fértil e enfolhada: E uma ave voou para muito além da torre, Acima de sua cabeça: E de novo a porta ele outra vez castigou; ‘Tem alguém em casa?’ ele disse. Mas ninguém desceu para…
-
W. H. Auden – Funeral Blues

BLUES FÚNEBRE Que parem os relógios, cale o telefone,jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,que emudeça o piano e que o tambor sancionea vinda do caixão com seu cortejo atrás. Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.Que as pombas guardem luto — um laço no…
-
Lewis Carroll – Jaguadarte

Era briluz. As lesmolisas touvasRoldavam e relviam nos gramilvos.Estavam mimsicais as pintalouvas,E os momirratos davam grilvos. “Foge do Jaguadarte, o que não morre!Garra que agarra, bocarra que urra!Foge da ave Felfel, meu filho, e correDo frumioso Babassurra!” Ele arrancou sua espada vorpalE foi atrás do inimigo do Homundo.Na árvora Tamtam ele afinalParou, um dia, sonilundo.…
-
William Carlos Williams – Entre Muros

alas traseiras do hospital onde nada medra jazem cinzas nas quais cacos verdes brilham garrafa Trad.: Haroldo de Campos
-
Robinson Jeffers – Sem Título

Isto quase anula meu medo de morrer, meu amor falou, Quando eu penso em cremação. Apodrecer na terra É um fim abominável, mas arder em chamas — além disso, estou habituada, Eu ardi com amor ou fúria tanto em minha vida, Não à toa meu corpo está cansado, não à toa está morrendo. Nós fomos felizes com…
-
William Carlos Williams – Carrinho de Mão Vermelho

tanto depende de um carrinho de mão vermelho vidrado pela água da chuva perto das galinhas brancas. Trad.: Haroldo de Campos
-
William Carlos Williams – As Árvores de Botticelli

O alfabeto das árvores se esfuma no canto das folhas os entre- laços de finas letras que soletram inverno e o frio são iluminados em apontos de verde por chuva e sol – Os princípios simples estritos de justos ramos são tangidos por beliscões afãs de cor, devotas condições os sorrisos de amor – …………….…