Categoria: Poesia em Língua Inglesa
-
Louise Glück – Vésperas (6)

Você pensou que nós não soubéssemos. Mas nós sabíamos,as crianças sabem dessas coisas. Não vire as costas agora – nós habitávamosuma mentira para apaziguá-lo. Eu me lembroda luz do sol do início da primavera, os taludesreticulados por vincas roxas. Eu me lembrode me deitar em um campo, roçando o corpo de meu irmão.Não vire as costas…
-
Louise Glück – Vésperas (5)

Assim como você apareceu para Moisés, porqueeu necessito de você, você aparece para mim,raramente, porém. Eu vivo essencialmentenas trevas. Você talvez esteja me treinando para sermais responsiva ao menor clarão. Ou, como os poetas,será que o desespero o estimula, o sofrimentoo leva a revelar sua natureza? Esta tarde,no mundo material ao qual você normalmentecontribui com…
-
Louise Glück – Vésperas (4)

Eu não me pergunto mais onde você está.Você está no jardim; você está onde John está,na terra, absorto, segurando sua pequena pá verde.É assim que ele jardina: quinze minutos de intenso esforço,quinze minutos de estática contemplação. Às vezes,trabalho ao lado dele, fazendo as tarefas à sombra,capinando, esfolhando as alfaces; às vezes, o observodo alpendre próximo…
-
Louise Glück – Fim de verão

Depois de tudo o que me ocorreu,o vazio me ocorreu. Há um limitepara o prazer que tive na forma — Eu não sou como vocês nisso,Não tenho liberdade em outro corpo, Não precisode abrigo fora de mim — Minha pobre inspiradacriação, vocês sãodistrações, enfim,meras limitações; no final,vocês são muito pouco parecidas comigopara me agradar. E…
-
Louise Glück – Margaridas

Vá em frente: diga o que está pensando. O jardimnão é o mundo real. As máquinassão o mundo real. Diga francamente o que qualquer tolo podeler em seu rosto: faz todo sentidoevitar-nos, resistirà nostalgia. Não ésuficientemente moderno, o som que o vento produzagitando um campo de margaridas: a mentenão pode brilhar ao segui-lo. E a…
-
Louise Glück – Vésperas (3)

Para além de mim, muito provavelmentevocê ama ainda mais as criaturas do campo; talvez, até o próprio campo, pontilhado em agostode chicórias-bravas e ásteres.Eu sei. Eu me compareia essas flores, com seu leque de sentimentostão menores e sem problemas; assim como à ovelha branca,na verdade, cinzenta: eu sou particularmenteapta a louva-lo. Então por quevocê me…
-
Louise Glück – Vésperas (2)

Em sua prolongada ausência, você me permiteusar a terra, antecipandoalgum retorno sobre o investimento. Devo reportarque falhei em minha missão, principalmenteem relação à plantação de tomates.Acho que não devo ser encorajada a cultivartomates. Ou, se o for, você você deveria reteras fortes chuvas, as gélidas noites que sãotão comuns por aqui, enquanto outras regiões desfrutamde…
-
Louise Glück – Vésperas (1)

Uma vez acreditei em você; plantei uma figueira.Aqui, em Vermont, uma terraque desconhece o verão. Era um teste: se a árvore sobrevivesse,isso provaria que você existe. Segundo essa lógica, você não existe. Ou existeexclusivamente em climas mais quentes,na fervorosa Sicília, no México e na Califórnia,onde crescem o inimagináveldamasco e o vulnerável pêssego. Talvezvejam sua face…
-
Louise Glück – Solstício de verão

Como posso ajuda-los quando todos desejamcoisas distintas — luz do sol e sombra,tempo seco e umidade sombria — Ouçam a si próprios, competindo uns com os outros — E se perguntampor que desespero por vocês,achando que algo pode fundi-los em um todo — o ar imóvel do auge do verãoentrelaçado com mil vozes cada qual…
-
Louise Glück – A porta de entrada

Eu queria permanecer como eu era,imóvel como o mundo raramente fica,não no solstício de verão, mas no momento anteriorà flor fundamental se formar, o momentoem que nada ainda é passado — não o solstício de verão, intoxicante,mas a tardia primavera, a grama ainda nãoalta nos limites do jardim, as primeiras tulipascomeçando a desabrochar — como…