Jacqueline Woodson – Posto de controle na Cisjordânia, 2016

Jacqueline Woodson – Posto de controle na Cisjordânia, 2016

Uma mulher judia espera, de brancos cabelos, curvada. As mãos pousadas
de leve nas costas de um menino palestino. Ela implora
aos soldados israelenses — ainda com espinhas, novos
no barbear — Ele só foi buscar pão. Por favor, deixem-no passar.

No meu bolso, o cartão postal de um acampamento em New Hampshire, um bilhete amarrotado
do meu filho de oito anos. Querida mãe e mamãe, estou bem
Com amor, JL. Meu filho, metade negro, metade judeu, tem a cor
do menino palestino. Nos EUA,
é tão negro por dentro de sua pele clara que rezamos
para que viva o bastante para sustentar o peso do amor / não da guerra
na palma de uma mão artrítica e trêmula. Mas, se for guerra, então
que ele possa pousar essa mão amorosamente nas costas de alguém
contra quem tenha sido chamado a lutar.

Num restaurante, no ano anterior, uma mulher branca
olhou para ele — dente da frente faltando, o cabelo erguido
em um moicano azul, balofas bochechas de bebê —
e puxou a bolsa para junto do corpo. Conheci mães
de filhos semelhantes com histórias mais tristes para contar.

E agora a velha senhora faz que sim enquanto os soldados, as
armas pesando nas costas estreitas e, ainda presos à própria juventude, beligerantes, franzem o cenho, mas
afastam o portão pra deixar o menino passar;
depois ela retorna ao seu assento, ao seu trabalho,
o trabalho das mães de todos os lugares cumprido,

por ora.

Trad.: Nelson Santander

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West Bank Checkpoint, 2016

A Jewish woman waits white haired and bending. Her hands
gentle on the back of a Palestinian boy. She begs
the Israeli soldiers – still pimpled and new
to shaving – He has only gone for bread. Please let him thru.

In my pocket, the postcard from a camp New Hampshire, a ragged note
from my eight-year-old son. Dear Mama and Mommy, I’m fine
Love, JL. My son, half Black half Jewish, is the color
of the Palestinian boy. In America
he so Black inside his light skin that we pray
he lives long enough to hold the weight of love / not war
inside the palm of a shaking arthritic hand. But if it is war then
let him place that hand lovingly on the back of someone
he has been called upon to fight.

At a restaurant the year before, a white woman
looked at him – Front tooth missing, hair standing
at a blue mohawk’s attention. Cheeks baby-fat full
and pulled her handbag closer. I have known mothers
of similar sons with sadder stories to tell.

And now the old woman nods as the soldiers, firearms
heavy on their narrow backs, belligerent still
inside their own youth scowl but
pull the gate aside to let the boy through,
then goes back to her seat, her work,
the work of mothers everywhere done,

for now.

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