Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Jorge Luis Borges – Aqui. Hoje.

Já somos o esquecimento que seremos. A poeira elementar que nos ignora e que foi o ruivo Adão e que é agora todos os homens e que não veremos. Já somos na tumba as duas datas do princípio e do término, o esquife, a obscena corrupção e a mortalha, os ritos da morte e as…
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Jorge Luis Borges – As Coisas

A bengala, as moedas, o chaveiro, a fechadura dócil, as tardias notas que não lerão os poucos dias que me restam, o naipe, o tabuleiro, um livro e dentro dele a emurchecida violeta, monumento de uma tarde por certo inesquecível já esquecida, o rubro espelho ocidental em que arde uma aurora ilusória. Quantas coisas, atlas,…
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Jorge Luis Borges – O Suicida

Não ficará na noite uma estrela. Não ficará a noite. Morrerei e comigo a suma Do intolerável universo. Apagarei as pirâmides, as medalhas, Os continentes e as caras. Apagarei a acumulação do passado. Farei pó a história, pó o pó. Estou olhando o último poente. Ouço o último pássaro. Lego o nada a ninguém. Trad.:…
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Jorge Luis Borges – Remorso por qualquer morte

Livre da memória e da esperança,Ilimitado, abstrato, quase futuro,O morto não é um morto: é a morte.Como o Deus dos místicos,A quem se devem negar todos os predicados,O morto, onipresentemente alheio,Não é senão a perdição e a ausência do mundo.Tudo lhe roubamos,Não lhe deixamos nem uma cor, nem uma sílaba:Aqui está o pátio que seus…
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Jorge Luis Borges – Nuvem (1)

Não haverá uma só coisa que não seja uma nuvem. São nuvens as catedrais de vasta pedra e bíblicos cristais que o tempo aplanará. São nuvens a Odisséia que muda como o mar. Algo há distinto cada vez que a abrimos. O reflexo de tua cara já é outro no espelho e o dia é…
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Jorge Luis Borges – Limites

Há uma linha de Verlaine que não voltarei a recordar, Há uma rua próxima que está vedada a meus passos, Há um espelho que me viu pela última vez, Há uma porta que fechei até o fim do mundo. Entre os livros de minha biblioteca (estou vendo-os) Há algum que já nunca abrirei. Este verão…
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Pedro Salinas – Não Te Vejo

Não te vejo. Bem sei que estás aqui, atrás de uma frágil parede de ladrilhos e cal, bem ao alcance da minha voz, se chamasse. Mas não chamarei. Chamarei amanhã, quando, ao não te ver mais imagine que continuas aqui perto, ao meu lado, e que basta hoje a voz que ontem eu não quis…
