Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Juan Vicente Piqueras – Os Deuses Dentro

Os deuses sabem mais e melhor que nóso que nos faz falta. Pedimos-lhes um filhoe nos mandam um lobo, e não os compreendemos. A vida a cada dia os esquece.A morte à noite os inventa. E as doenças, como bem disse o sábio,são deuses que agonizam dentro de nosso corpo, seu último templo em ruínas,seu…
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Homero Aridjis – Pela Porta Verde

Pela porta verde Para Eva Sofia Sou um indocumentado da eternidade.Sem papéis, ultrapassei as fronteiras do tempo.Detido pelos agentes de imigração do nascimentoe da morte, lancei-meao tabuleiro de xadrez dos dias.Fiscais astutos, em busca de lembranças valiosas,vasculharam minha bagagem de sombras.Nada a declarar. Nada a lamentar.Passei pela porta verde. Trad.: Nelson Santander Mais do que…
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Nicolás Guillén – Um poema de amor

“Um poema de amor”, um poema de Nicolás Guillén que narra o reencontro arrebatador de dois amantes marcados pelo tempo e pela impossibilidade, explorando o desejo contido, a despedida inevitável e a intensidade fatal de um amor vivido à beira do abismo.
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Idea Vilariño – Não mais

Não mais seránão maisnão viveremos juntosnão criarei teu filhonão coserei tua roupanão te terei à noitenão te beijarei ao partirnunca saberás quem fuipor que outros me amaram.Não chegarei a saberpor que nem porque nuncanem se era verdadeiroo que disseste que eranem quem fostenem o que fui para tinem como teria sidovivermos juntosamarmo-nosesperarmo-nosestarmos juntos.Agora não sou…
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Luis Alberto de Cuenca – O véu protetor

Amanheceu e nós estávamos dentroda vil realidade, o que não podeser bom. Melhor seria que passassemlogo as horas inúteis em que o diaproscreve a aventura com as normasdo tédio laboral, e que voltassema noite e as suas estrelas a envolver-nosno seu véu fantástico e a dar-nosa inútil sensação de estarmos vivos. Trad.: Miguel Filipe Mochila…
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Joan Margarit – Monumentos

O vazio que sentes, cada vez com mais força,é o dos traidores.Também os monumentos, por dentro, são vazios,com as entranhas cheias de ferrugem e de morte:escuros e corroídos pela história,é tão sinistro seu interiorcomo arrogante o gesto que no ardesenha a personagem.À medida que os amigos nos traem– e a morte é também uma traição…
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Ángel González – Aniversário

Eu percebo: como estou me tornandomais incerto, confuso,dissolvendo-me no arcotidiano, brutopedaço de mim, desgastadoe em frangalhos. Eu compreendo: vivimais um ano, e isso é muito duro.Pulsar o coração todos os diasquase cem vezes por minuto! Viver um ano requermorrer muito muitas vezes. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 15/04/2019 Mais do…
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Joan Margarit – O ano em que ela morreu

Na fotografia em sépiaés jovem e sorri. Faz-me lembraras mulheres dos filmes de guerrada minha infância:barcos na neblina, trens noturnose grandes cidades sob o alarme aéreo.Na lápide está escrito que ela se foino inverno de 44,aos vinte anos, quando me apaixonavapela sufocante escuridãocruzada por um raio de luz, a heroínados sonhos de amor de minha…
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Luís García Montero – Resumo dos fatos

Resumo dos fatos, um poema de Luís García Montero, reflete sobre a comunicação moderna, a efemeridade das mensagens digitais e a permanência dos grandes temas humanos, afirmando que, no fim, apenas o amor e a morte realmente importam.
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Vicente Gaos – Esquecei

Esquece, homem… Esquece que és cinzase em cinzas te tornarás. Esquece esta quarta-feirae o in pulvis reverteris. Pois embora sejas cinza e pó,há vida, amor, beleza ao redor. É verdade: beleza, amor, vida,fugazes flores de um dia. Mas flores, sim. Enquanto durara magia verdadeira de seu perfume, esquece o pó e a morte.É melhor não…