Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Ángel González – O amanhã é um mar profundo que precisamos atravessar a nado

Queria ser alga, água, tudo ao teu redor, para unir meu sentimento ao rumor do mar. “O amanhã é um mar profundo que precisamos atravessar a nado”, um poema de Ángel González
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Joan Margarit – Astapovo

De madrugada, Tolstói foge em um trem russo, temendo o inverno e a morte. A morte muda os trilhos sem aviso. – “Astapovo”, de Joan Margarit
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Joan Margarit – Banheiro

Cuido para que não caias ao banhar-te,e ao secar-te as costas sigo suavementea grande cicatriz da espinha.O futuro está sempre na janela.Tua vida é este pequeno espaçode tua cama e tua música, este céude umas poucas pessoas e uma casa.E pela primeira veznão estarei mais contigo.Não virei mesmo que me chames.Ficarei te olhandonas fotografias dos…
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José Luis García Martín – Em algum lugar

Logo, depois, mais tarde, quando nunca,meus passos se afastaram dos meus passose em algum lugar, não sei se dentro ou fora,ouviu-se uma voz que repetia um nome.Uma voz, apenas um eco, quase nada,talvez a voz do vento entre as árvoresonde árvores sequer existiam.Tremiam os alicerces da terraou seria eu quem tremia naquele instantequando um sol…
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Juan Vicente Piqueras – Os Deuses Dentro

Os deuses sabem mais e melhor que nóso que nos faz falta. Pedimos-lhes um filhoe nos mandam um lobo, e não os compreendemos. A vida a cada dia os esquece.A morte à noite os inventa. E as doenças, como bem disse o sábio,são deuses que agonizam dentro de nosso corpo, seu último templo em ruínas,seu…
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Homero Aridjis – Pela Porta Verde

Pela porta verde Para Eva Sofia Sou um indocumentado da eternidade.Sem papéis, ultrapassei as fronteiras do tempo.Detido pelos agentes de imigração do nascimentoe da morte, lancei-meao tabuleiro de xadrez dos dias.Fiscais astutos, em busca de lembranças valiosas,vasculharam minha bagagem de sombras.Nada a declarar. Nada a lamentar.Passei pela porta verde. Trad.: Nelson Santander Mais do que…
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Nicolás Guillén – Um poema de amor

“Um poema de amor”, um poema de Nicolás Guillén que narra o reencontro arrebatador de dois amantes marcados pelo tempo e pela impossibilidade, explorando o desejo contido, a despedida inevitável e a intensidade fatal de um amor vivido à beira do abismo.
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Idea Vilariño – Não mais

Não mais seránão maisnão viveremos juntosnão criarei teu filhonão coserei tua roupanão te terei à noitenão te beijarei ao partirnunca saberás quem fuipor que outros me amaram.Não chegarei a saberpor que nem porque nuncanem se era verdadeiroo que disseste que eranem quem fostenem o que fui para tinem como teria sidovivermos juntosamarmo-nosesperarmo-nosestarmos juntos.Agora não sou…
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Luis Alberto de Cuenca – O véu protetor

Amanheceu e nós estávamos dentroda vil realidade, o que não podeser bom. Melhor seria que passassemlogo as horas inúteis em que o diaproscreve a aventura com as normasdo tédio laboral, e que voltassema noite e as suas estrelas a envolver-nosno seu véu fantástico e a dar-nosa inútil sensação de estarmos vivos. Trad.: Miguel Filipe Mochila…
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Joan Margarit – Monumentos

O vazio que sentes, cada vez com mais força,é o dos traidores.Também os monumentos, por dentro, são vazios,com as entranhas cheias de ferrugem e de morte:escuros e corroídos pela história,é tão sinistro seu interiorcomo arrogante o gesto que no ardesenha a personagem.À medida que os amigos nos traem– e a morte é também uma traição…