Categoria: Poema
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Mario Montalbetti – Muito menos que uma ideia

Não creias na verdade. Não creias na beleza. Não creias no amor. Senta ao piano sopra a trompa arranha a corda e fiquemos juntos. Não me apanhes um Beserol se me dói a cabeça. Não repitas comigo filme que já viste. Não creias que haja algo importante no que fazes. Nem sequer uma boa ação…
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Rocío Wittib – Imprescindível não é a direção…

imprescindível não é a direção o caminho no mapa a geografia é apenas um acidente para quem se busca e suspeita que distância não significa quilômetros tampouco importa o destino porque nunca se está em um lugar preciso mas constantemente em uma fronteira entre o desespero do ser e o anseio de resistir não há…
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Felipe Fortuna – Samir

Aquele garoto que vê o mercado ficar cheio se chama Samir. Ele crê em Deus de todas as maneiras: como pássaro brilhante, como água fresca entre pedras, como o assobio do vento deserto. Mas agora desmembrado e a cabeça confundida aos estilhaços Samir não vê. Sobre o mercado a bomba apontou o inimigo e levou…
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Jorge Teillier – Blue

Verei novos rostos Verei novos dias Serei esquecido Terei remembranças Verei sair o sol quando sai o sol Verei cair a chuva quando chove Andarei a esmo De um lado a outro Aborrecerei meio mundo Contando a mesma história Me sentarei para escrever uma carta Que não me interessa enviar Ou para olhar as crianças…
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e e cummings – de “xaipe”

40 eu estou te pedindo querida é pra que mais poderia um não mas não é o que claro mas você não parece entender que eu não posso ser mais claro a guerra não é o que imaginamos mas por favor pelo amor de Oh que diabo sim é verdade que fui eu mas esse…
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Rosa Leveroni i Valls – De “Epigramas e Canções”

Eu levo dentro de mim para fazer-me companhia a solidão apenas. A solidão imensa do amor infinito que queria ser terra, ar e sol, mar e estrela, para que fosses mais meu, para que eu fosse mais tua. Trad.: Nelson Santander Rosa Leveroni i Valls – De “Epigrames i cançons” Jo porto dintre meu per…
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Otto Renê Castillo – Os Amantes

“Os Amantes”, um poema de Otto René Castillo que retrata um encontro breve e uma separação dolorosa, transformando o último beijo dos amantes em metáfora cósmica — um planeta azul cuja luz continua a sustentar suas vidas mesmo na ausência.
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Charles Bukowski – Para Jane Cooney Baker, morta em 22/01/1962

e então você se foime deixando aquinum quarto com uma cortina rasgadae o Idílio de Siegfried tocando no radinho vermelho. e então você se foi tão rápidoquanto quando você veio pra mim,e nós tínhamos dito adeus antes,e quando eu estava limpando seu rosto e lábiosvocê abriu os maiores olhos que eu já tinha vistoe disse…
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Manuel António Pina – Talvez de noite (1)

À minha volta tudo envelheceu como se fosse eu, e no entanto uma casa, ou um espaço em branco entre as palavras, ou uma possibilidade de sentido. Pois nada surge com a sua própria forma. Digo “casa”, mas refiro-me a luas e umbrais, a lembranças extenuadas, às trevas do corpo, lúcidas, latejando na obscuridade de…
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Francisca Aguirre – E se, depois de tudo

E se, depois de tudo, fosse o resto um ir morrendo para ao fim morrermos por este louco afã de convertermo-nos em contadores de um momento lesto. E se afigura que o correto era este sermão que vem nos repetir que avança o furacão de nos ferir, e é vã e absurda esta carreira. Então…