Categoria: Poema
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José Mateos – In Memoriam

Para Pedro Sevilla Sempre, frente à dor, estamos sozinhos, não se quer viver, e tu sabes disso. Há um instante viste, na penumbra de um quarto de hospital, a mão hirta, seu rosto naufragado que o lençol cobriu. E era como mirar-se em um espelho e ver que somos menos que essa ausência, menos que…
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Elisa Lucinda – Do Efêmero Presente

Às vezes passo um dia e sinto que o perdi. Um dia sem importâncias dentro dele, sem fruto, sem feito, metade avião, metade hotel. Mas que mania é essa de querer que o pobre do dia seja sempre cheio de tarefas? Um dia escravinho, sofrendo na senzala calendário. Ora essa, tem gente que dorme quase…
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Joan Margarit – Ulisses nas Águas de Ítaca

Estás chegando a ilha e agora sabes o que é o acaso. Viver, o que significa. Teu arco será poeira em uma estante. Poeira será o tear e a peça que ele tece. Os pretendentes, que no pátio acampam, são sombras dos sonhos de Penélope. Estás chegando a ilha enquanto explode o mar contra as…
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Vitor Nogueira – Formol

A casa por sob o sótão. O sótão por sobre a casa. A casa por sobre a rua. A rua por sobre o mundo. À volta desta praça, quis o tempo conservados em formol os edifícios, esquinas de onde surgem cada vez mais perguntas sem aviso. Escondida pela fachada do liceu há-de estar ainda a…
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Kenneth Rexroth – Leão

O leão é chamado de rei Dos animais. Atualmente existem Quase tantos leões Em jaulas quanto fora delas. Se te oferecerem uma coroa, recusa. Trad.: José Antônio Cavalcanti Lion The lion is called the king Of beasts. Nowadays there are Almost as many lions In cages as out of them. If offered a crown, refuse.
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Ruy Belo – Através da chuva e da névoa

Chovia e vi-te entrar no mar longe de aqui há muito tempo já ó meu amor o teu olhar o meu olhar o teu amor Mais tarde olhei-te e nem te conhecia Agora aqui relembro e pergunto: Qual é a realidade de tudo isto? Afinal onde é que as coisas continuam e como continuam se…
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Henri Michaux – Nós dois ainda

1948 Música do fogo, tu não soubeste tocar. Lançaste sobre a minha casa um pano negro. O que é este opaco em toda a parte? É o opaco que tapou o meu céu. O que é este silêncio em toda a parte? É o silêncio que calou o meu canto. * De esperança tinha-me bastado…
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Amalia Bautista – Nada Sabemos

Nunca saberemos se os enganadossão os sentidos ou os sentimentos,se viaja o comboio ou a nossa ânsia,se as cidades mudam de lugarou se todas as casas são a mesma.Nunca saberemos se quem nos esperaé quem deve esperar-nos, nem sequerquem temos de esperar no meio de umaplataforma fria. Nada sabemos.Avançamos às cegas, perguntandose isto que se…
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Maria Lúcia Alvim – Nosferatu

Não era bem isso que eu queria, no entanto, ele veio. Olho de vidro, dente de espada, sopro de guerreiro afeito à noite. – Por que tarda tanto o teu amanhecer sob a capa? – Porque veio? perguntei. E ele debruçava, derramava sobre mim um jeito de morrer.
