Categoria: Poema
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Ana Martins Marques – [Pense em quantos anos foram necessários para chegarmos a este ano]
![Ana Martins Marques – [Pense em quantos anos foram necessários para chegarmos a este ano]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2020/04/black-and-wite-beach-low-tide.jpg)
Pense em quantos anos foram necessários para chegarmos a este ano quantas cidades para chegarmos a esta cidade e quantas mães, todas mortas, até tua mãe quantas línguas até que a língua fosse esta e quantos verões até precisamente este verão este em que nos encontramos neste sítio exato à beira de um mar rigorosamente…
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Marie Howe – Meus amigos mortos

Comecei, quando estou cansada e não consigo me decidir por uma resposta a uma pergunta desconcertante, a pedir a opinião dos meus amigos mortose muitas vezes a resposta é imediata e clara. Devo aceitar o emprego? Mudar para a cidade? Devo tentar conceber um filhona minha meia-idade? Eles estão de pé, em uníssono, balançando a…
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Emily Dickinson – Poema 1.222

O Enigma decifrado Despreza-se com pressa — A Surpresa de Ontem Já não nos interessa — Trad.: Augusto de Campos Poem 1.222 The Riddle we can guess We speedily despise — Not anything is stale so long As Yesterday’s surprise —
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Robert Bly – Pessoas como nós

Pessoas como nós para James Wright Há mais como nós. Em toda parte Há pessoas confusas, que não conseguem lembrar O nome do próprio cão quando acordam, e pessoas Que amam a Deus mas não se lembram onde Ele estava quando foram dormir. Não Tem problema. O mundo se purifica desta forma. Um número errado…
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Juan Vicente Piqueras – Taças de sede

Se duvidas de tua sede, se não te atreves a questiona-la ou a dar-lhe um nome, se só sabes que buscas uma água que a sacie e não achas senão poços, e neles ecos que te chamam, bebe. Se ao beber a sede desaparece é que era só sede. Segue buscando. Mas se cresce em…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Canção de fevereiro

Canção de fevereiro no peito do céu, palpitando Jaime Gil de Biedma Leve e triste, a tarde se retira contigo até o crepúsculo e as horas começam a doer nas dobras distantes do lençol. Subitamente a noite regressou e é difícil não pensar em teus efêmeros lábios ou nas altas regiões do teu corpo glorificando…
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Iracema Macedo – Dandara

Eu só acreditava em Drummond: ‘o amor chega tarde’ Não conhecia o amor que fulgura sem aviso esse que se sabe proibido o amor que já se sabe perdido desde o início Eu não acreditava no impossível vinha tão sóbria, tão cheia de medidas não conhecia o esplendor da queda nem a violência dos abismos
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José Miguel Silva – Tudo coisas mortais para a poesia

A casa, o lume, o sono dobrado do corpo feliz, a cesta de figos, a curva do rio, a fotografia no cimo do monte, a veracidade das glicínias, o rosto da mãe, a fava no bolo, o trunfo de copas, o filme da tarde, a música nova, o rasto da chuva por entre os pinheiros,…
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Juan Vicente Piqueras – Lençóis herdados

A ferida mais íntima é herdada. O onde, o como, o quando,a morte, o nascimento,língua, família, deus, tempo, amor:o decisivo do que nos acontece,e quem somos,não é algo desejado nem escolhido. E passamos a vida, a despeito disso, ou por isso,crendo que o desejo é nosso deus,e não uma rosa rara que em nós cultivao…
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Czeslaw Milosz – Sobre anjos

Tudo foi tirado de vocês: túnica branca, asas, até mesmo a existência. Contudo, ainda acredito em vocês, mensageiros. Aqui, onde o mundo está virado do avesso, uma trama maciça bordada com astros e bestas, vocês passeiam, inspecionando as suturas confiáveis. Curta é sua estadia neste lugar: às vezes na hora matinal, se o céu está…