Mês: janeiro 2022
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Robinson Jeffers – Pecado original

O símio-terrestre com seu cérebro e mãos de homem, fisicamenteO mais repulsivo de todos os animais de sangue quenteDa terra até então: eles cavaram uma armadilhaE capturaram um mamute, mas como poderiam seus paus e pedrasAtingir a vida naquela tocaia? Eles dançaram ao redor do poço, guinchandoCom excitação de macaco, arremessando pedras afiadas em vão,…
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Vinicius de Moraes – Poema de Natal

Para isso fomos feitos:Para lembrar e ser lembradosPara chorar e fazer chorarPara enterrar os nossos mortos —Por isso temos braços longos para os adeusesMãos para colher o que foi dadoDedos para cavar a terra. Assim será nossa vida:Uma tarde sempre a esquecerUma estrela a se apagar na trevaUm caminho entre dois túmulos —Por isso precisamos…
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John Keats – Ode sobre a melancolia

Não! Não vás para o Letes, nem tristes raízes Tortures para obter o vinho que te acena;Nem no pálido rosto os beijos cicatrizes Da beladona, que Prosérpina envenena.Não faças teu rosário com amoras parcas, Nem permitas que o escaravelho ou a falena Sejam tua Psique, nem que o mocho do abandonoPartilhe dos mistérios do teu…
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Cassiano Ricardo – A Graça Triste

Só me resta agoraEsta graça tristeDe te haver esperadoAdormecer primeiro.Ouço agora o rumorDas raízes da noite,Também o das formigasImensas, numerosas,Que estão, todas, corroendoAs rosas e as espigas. Sou um ramo secoOnde duas palavrasGorjeiam. Mais nada.E sei que já não ouvesEstas vãs palavras.Um universo espessoDói em mim com raízesDe tristeza e alegria.Mas só lhe vejo a…
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Algernon Charles Swinburne – O Jardim de Proserpina

Leia “O Jardim de Proserpina”, de Algernon Charles Swinburne, um clássico da poesia vitoriana sobre morte, esquecimento e o anseio pelo repouso eterno.
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Reginald Gibbons – O que remanesce

Sim, o pão está envenenado. E não há sequer um gole de ar.Como é difícil curar a ferida da vida.O próprio José, vendido ao Egito como escravo,não poderia ter ficado mais profundamente magoado. Então, sob o enxame de estrelas do céu, chegam os Beduínos.Eles acalmam seus cavalos. Então, por turnos, com olhos fechados,cada um inventa…
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Óssip Mandelstam – O ar foi todo bebido e o pão, corrompido…

O ar foi todo bebido e o pão, corrompido.Cicatrizar as feridas é tão custoso!O jovem José, ao Egito vendido,Não poderia estar mais desgostoso! Os beduínos, sob a abóboda estrelada,A cavalo, e de olhos semicerrados,Concebem sagas improvisadasSobre seu dia vagamente vivenciado. De quase nada precisam que lhes dê alento:Um perdeu sua aljava no arenoso chão;Outro trocou…
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Thiago de Mello – Madrugada camponesa

para os trabalhadores do MST, em 1999 Madrugada camponesa,faz escuro ainda no chão,mas é preciso plantar.A noite já foi mais noite,a manhã já vai chegar. Não vale mais a cançãofeita de medo e arremedopara enganar solidão.Agora vale a verdadecantada simples e sempre,agora vale a alegriaque se constrói dia a diafeita de canto e de pão.…
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Antonio Cicero – Nihil

nada sustenta no nada esta terranada este ser que sou eunada a beleza que o dia descerranada a que a noite acendeunada esse sol que ilumina enquanto errapelas estradas do breunada o poema que breve se encerrae que do nada nasceu REPUBLICAÇÃO. Poema originalmente publicado no blog em 24/02/2016
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Heather McHugh – O que ele pensou

O que ele pensou para Fabio Doplicher Teríamos que fazer um trabalho na Itáliae, repletos dos nossos sentimentos pornós mesmos (nossa sensação de sermosPoetas da América) fomosde Roma a Fano, conhecemoso prefeito, refletimossobre alguns assuntos (o que éuma piriguete, eles nos perguntaram; o que écerveja sem colarinho). Entre os literatos italianos conseguíamos reconhecer nossos homólogos:o…