Robinson Jeffers – Pecado original

O símio-terrestre com seu cérebro e mãos de homem, fisicamente
O mais repulsivo de todos os animais de sangue quente
Da terra até então: eles cavaram uma armadilha
E capturaram um mamute, mas como poderiam seus paus e pedras
Atingir a vida naquela tocaia? Eles dançaram ao redor do poço, guinchando
Com excitação de macaco, arremessando pedras afiadas em vão, e o fedor de seus corpos
Maculava o ar branco da aurora; mas logo um deles
Se lembrou do dançarino amarelo, o fogo come-lenha
Que guarda a entrada da caverna: ele correu até lá e o trouxe, e os outros
Juntaram gravetos nos limites da floresta; eles fizeram uma fogueira
E a empurraram para dentro do poço, e eles a alimentaram, aumentando-a, ao redor dos lados atolados
De sua enorme presa. Eles observaram a longa tromba peluda
Oscilar sobre a ressoante e sufocante dor,
E ficaram felizes.

Enquanto isso, a intensa cor e nobreza da aurora,
Rosa e dourado e âmbar, jorravam céu acima. Rochas úmidas brilhavam, um vento ligeiro
Balançava as folhas da floresta e as íris selvagens do pântano; o vale aprazível entre as colinas baixas
Tornava-se tão belo quanto o céu; ao passo que, no meio disso tudo, hora após hora, os felizes caçadores
Assavam sua carne viva lentamente até a morte.

Estas são as pessoas.
Este é o alvorecer da humanidade. Quanto a mim, eu preferia

Ser um verme em uma maçã silvestre do que um filho do homem.
Mas nós somos o que somos, e devemos nos lembrar de
Não odiar ninguém, pois todos são perversos;
E não nos surpreender com nenhum mal, tudo é merecido;
E não temer a morte; ela é a única forma de sermos purificados.

Trad.: Nelson Santander

Original Sin

The man-brained and man-handed ground-ape, physically
The most repulsive of all hot-blooded animals
Up to that time of the world: they had dug a pitfall
And caught a mammoth, but how could their sticks and stones
Reach the life in that hide? They danced around the pit, shrieking
With ape excitement, flinging sharp flints in vain, and the stench of their bodies
Stained the white air of dawn; but presently one of them
Remembered the yellow dancer, wood-eating fire
That guards the cave-mouth: he ran and fetched him, and others
Gathered sticks at the wood’s edge; they made a blaze
And pushed it into the pit, and they fed it high, around the mired sides
Of their huge prey. They watched the long hairy trunk
Waver over the stifle trumpeting pain,
And they were happy.

Meanwhile the intense color and nobility of sunrise,
Rose and gold and amber, flowed up the sky. Wet rocks were shining, a little wind
Stirred the leaves of the forest and the marsh flag-flowers; the soft valley between the low hills
Became as beautiful as the sky; while in its midst, hour after hour, the happy hunters
Roasted their living meat slowly to death.

These are the people.
This is the human dawn. As for me, I would rather

Be a worm in a wild apple than a son of man.
But we are what we are, and we might remember
Not to hate any person, for all are vicious;
And not be astonished at any evil, all are deserved;
And not fear death; it is the only way to be cleansed.

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