Mês: julho 2020
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Paulo Henriques Britto – de “Vers de circonstance”

I. Imunidade de Rebanho A estupidez é sua própria recompensa. Graças a ela, o mundo faz sentido, um só, que é fácil de identificar. E só o fácil satisfaz a quem não pensa. Pensar é coisa trabalhosa. A ignorância é o sumo bem dos cidadãos de bem, é a verdadeira marca dos eleitos. Ter sucesso…
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Wendell Berry – De “Sabbaths” (2001)

[…] III Peça ao mundo que revele sua quietude —não o silêncio das máquinas quando cessam,mas a verdadeira quietude onde os cantos das aves,as árvores, os sinos-das-sombras, os caracóis, as nuvens, as tempestadesse tornam o que são – e nada além disso. […] V O vento do outono chegou.Está por toda parte. Movecada folha de…
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Eamon Grennan – Uma manhã

Procurando pedras raras, dei com a lontra mortaapodrecendo na linha da maré, e carreguei pelo resto do dia o odor desta brutaldespedida. Aquele som lancinante e agudo do ostraceiroecoava pela enseada rochosaonde um cormorão se alimentava e submergia na baíae de onde uma garça-real alçou voo de um rochedo onde estivera invisível,pairou um tempo, e…
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David Mourão-Ferreira – Soneto do cativo

Se é sem dúvida Amor esta explosão De tantas sensações contraditórias; A sórdida mistura das memórias, Tão longe da verdade e da invenção; O espelho deformante; a profusão De frases insensatas, incensórias; A cúmplice partilha nas histórias Do que os outros dirão ou não dirão; Se é sem dúvida Amor a cobardia De buscar nos…
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William Butler Yeats – Leda e o cisne

Súbito, um baque: as grandes asas brancas Pousam sobre a jovem, e a agarram com jeito, As patas negras lhe afagam as ancas E a estreitam, impotente, contra o peito. Com dedos trêmulos, como afastar Das coxas fracas o esplendor plumado? E como não sentir a palpitar O estranho coração, desabalado? Um espasmo ― e…