Mês: novembro 2017
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Lucrécio – Da Natureza das Coisas (de rerum natura) (excerto)

Coisa nenhuma subsiste, mas tudo flui. Fragmento ajusta-se a fragmento e as coisas assim crescem Até que as conhecemos e nomeamos. Fundem-se, e já não são as coisas que conhecêramos. Formados dos átomos que caem velozes ou lentos Vejo os sóis, vejo os sistemas se ordenarem; É sólido que a natureza está em nós até…
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Federico García Lorca – 1910 (Intermezzo)

“1910 (Intermezzo)”, um poema de Federico García Lorca que revisita o olhar inaugural da infância para revelar, entre imagens oníricas e presságios, o vazio oculto no curso inevitável das coisas.
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Charles Baudelaire – A Giganta

Pois quando a Natureza, em seu capricho exato, Gerava estranhos seres raros, dia a dia, Uma giganta moça – eis do eu gostaria, Para viver-lhe aos pés com a volúpia de um gato. Ver seu corpo florir com a flor de sua alma E crescer livremente em seus terríveis jogos; Ver se não teria no…
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Goethe – Pensamentos Noturnos

Tão belas na rútila luz soberana, Guia do navegante aflito, sem norte (E sem recompensa, divina ou humana), – Tenho dó de vocês, estrelas sem sorte, Sem jamais amar e sem saber do amor! Tangendo, incansáveis, as horas eternas Na ronda do tempo das vastas esferas, Vocês vão cumprindo percursos sem conta. Mas eu, se…
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Thomas Hardy – Acaso

Se ao menos do alto me chamasse um deus De ódio, e risse: “Ó homem coisa-dor, Teu sofrimento é o júbilo dos céus, Teu deve-amor é o meu haver-rancor”, Eu me conformaria, indo ao extremo De não dobrar-me, réu de um juiz verdugo, Mas orgulhoso que um poder sumpremo Me obrigasse a gemer sob o…
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William Carlos Williams – A Árvore sem Folhas

A cerejeira sem folhas mais alta que o teto deu ano passado muita fruta. Como falar porém de fruta diante desse esqueleto? Embora possa estar vivo não há fruta nele. Por isso derrubem-no e usem a lenha contra este frio cortante. Trad.: José Paulo Paes The bare tree The bare cherry tree higher than…
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Ivan Junqueira – No Leito Fundo

No leito fundo em que descansas, em meio às larvas e aos livores, longe do mundo e dos terrores que te infundia o aço das lanças; longe dos reis e dos senhores que te esqueceram nas andanças, longe das taças e das danças, e dos feéricos rumores; longe das cálidas crianças que ateavam fogo aos…
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Ivan Junqueira – de “Três Meditações na Corda Lírica”

Only through time time is conquered. T. S. Eliot, Four Quartets, Burnt Norton, 92 I Deixa tombar teu corpo sobre a terra e escuta a voz escura das raízes, do limo primitivo, da limalha fina do que…
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Ivan Junqueira – Lição

À beira do claustro o monge se inclina e na pedra aprende o que a pedra ensina: que a vida é nada com a morte por cima, que o tempo apenas este fim lhe adia e que o ser carece de não ser ainda, pois à luz se esquiva do que o purifica: a doce…
