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Paulo Henriques Britto – Lacrimæ rerum

É o lamento das coisas,a desdita da matéria.Não tem nada a ver conosco,com nossa breve miséria, nosso orgulho de organismo.É uma questão de moléculas,que antecede a biologiapor coisa de muitos séculos. Diante dessa dor arcananosso entendimento pasma.Nem tudo está a vosso alcance,ó seres de protoplasma. Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e…
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Ursula K. Le Guin – Somos poeira

Somos poeira em sofrimento.A luz brilha através de nóscomo através do spray das ondas, poeira de líquido*estourando, ou da chuva que cai. Trad.: Nelson Santander N. do T.: A escolha dos versos “poeira de líquido / estourando” nesta tradução busca, dentro do possível, preservar a ambiguidade dos versos “dust of water / breaking” no poema…
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Ian Hamilton – Admissão

Os lábios rachados do porteiro noturno uniformizadoMurmuram horrivelmente contra o vidro embaçadoDe nossa ambulância escura.Nossa afliçãoInspira um único olhar marcial de desdémE logo ele nos indica o caminho, para a “Pátria”. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 18/04/2019 Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter…
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Gerard Smyth – A caminho

Estamos em um trem que segue em direção ao mar.Os nomes das estações estão no meio do caminhoentre dois idiomas. A paisagem é austera,como se à espera de um ataque.Tudo está em seu devido lugar.Tudo repousa ali sem se mover:o lodo no fundo do lago, a areiaque alcançou a praia.A quietude nos questiona sobre o…
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Manuel Halpern – Domingo de manhã

Quantos homensse apaixonam por tiao sábado à tardeenquanto passeiam os filhosno parquee se distraemdo balançodo baloiçona adivinhaçãodas partes do corpoque trazes tapadas Mal sabem que a tua solidãonão se preenchecom a desventura eróticade um corpoque te cubrasem consoloNão há faltade quem se deitecontigosábado à noiteapenas quem acordeao teu ladodomingo de manhã REPUBLICAÇÃO: poema publicado na…
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Ross Gay – Como aprender a amar o seu pai

“Como aprender a amar o seu pai”, um poema de Ross Gay que transforma o gesto físico de erguer o pai debilitado em metáfora de reconciliação e aprendizado afetivo, explorando silêncio, memória e a gravidade emocional entre pai e filho.
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Ángel González – Aniversário

Eu percebo: como estou me tornandomais incerto, confuso,dissolvendo-me no arcotidiano, brutopedaço de mim, desgastadoe em frangalhos. Eu compreendo: vivimais um ano, e isso é muito duro.Pulsar o coração todos os diasquase cem vezes por minuto! Viver um ano requermorrer muito muitas vezes. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 15/04/2019 Mais do…
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Timothy Liu – Thoreau

Meu pai e eu não temos para onde ir.Sua esposa não nos deixa entrar em casa —medo de contrair AIDS. Ela acredita quedormir com homens é pior do que um pecado,meu pai diz, enquanto nos sentamos no meio-fioem frente à casa dos vizinhos.Sessenta e quatro anos tornaram meu paiimpotente. Raízes grisalhas e tinta pretadesbotada manchando…
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Raymond Carver – A cabine telefônica

Ela desaba na cabine, chorandono telefone. Perguntando uma coisaou outra, e chorando um pouco mais.Seu companheiro, um camarada mais velho,usando jeans e camiseta, aguarda em péa sua vez de falar, e chorar.Ela passa o telefone para ele.Por um minuto eles ficam juntosna minúscula cabine, as lágrimas delerolando junto com as dela. Entãoela vai se encostar…
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Mary Oliver – Às vezes

1. Algo emergiuda escuridão.Não era nada que eu já tivesse visto antes.Não era um animalou uma flor,a menos que fosse ambos. Algo emergiu da água,uma cabeça do tamanho da de um gatomas enlameada e sem orelhas.Eu não sei o que é Deus.Eu não sei o que é a morte. Mas creio que eles tenham entre…