Categoria: Ubi Sunt?
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Kenneth Rexroth – Música de Alaúde

A Terra vai durar por muito tempoAntes de finalmente congelar;Os homens nela estarão; receberão nomes,Justificarão seus atos.Já nós estaremos aqui somenteComo componentes químicos —Na verdade, uma pequena franquia.Agora ainda temos uma vida,Corpúsculos, ambições, carícias,Como todos já tiveram um dia —Todas as pessoas brilhantes, as neige d’antan1,“Blithe Helen, white Iope, and the rest,”2Todos os inquietos e…
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Manuel Bandeira – Profundamente

Quando ontem adormeciNa noite de São JoãoHavia alegria e rumorEstrondos de bombas luzes de BengalaVozes, cantigas e risosAo pé das fogueiras acesas. No meio da noite desperteiNão ouvi mais vozes nem risosApenas balõesPassavam errantesSilenciosamenteApenas de vez em quandoO ruído de um bondeCortava o silêncioComo um túnel.Onde estavam os que há poucoDançavamCantavamE riamAo pé das fogueiras…
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Francisco Brines – Aquele verão da minha juventude

E o que restou daquele velho verãonas costas da Grécia?O que resta em mim do único verão da minha vida?Se pudesse escolher, de tudo o que vivi,algum lugar, e o tempo que o ata,sua milagrosa companhia me arrasta até lá,onde ser feliz era a razão natural de estar vivo. Perdura a experiência, como um quarto…
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Luis Alberto de Cuenca – Quando Penso nos Velhos Amigos

Quando penso nos velhos amigos que saíram de minha vida, unindo-se a más mulheres que alimentam seu medo e os enchem de filhos para tê-los por perto, controlados e inermes. Quando penso nos velhos amigos que se foram para o país da morte, sem passagem de volta, só porque procuraram o deleite nos corpos e…
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Isabel Allende – Ruído

A vida é puro ruído entre dois silêncios abismais. Silêncio antes de nascer, silêncio após a morte.
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António Lobo Antunes

Com os anos a morte vai-se tornando familiar. Quero dizer não a ideia da morte, não o medo da morte: a realidade dela. As pessoas de quem gostamos e partiram amputam-nos cruelmente de partes vivas nossas, e a sua falta obriga-nos a coxear por dentro. Parece que sobrevivemos não aos outros mas a nós mesmos,…
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Ferreira Gullar – Os Mortos

os mortos vêem o mundo pelos olhos dos vivos eventualmente ouvem, com nossos ouvidos, certas sinfonias algum bater de portas, ventanias Ausentes de corpo e alma misturam o seu ao nosso riso se de fato quando vivos acharam a mesma graça

