Categoria: The Wild Iris – Louise Glück
-
Louise Glück – Flores-de-neve

Você sabe o que eu era, como eu vivia? Você sabeo que é o desespero? Entãoo inverno deve ter um significado para você. Eu não esperava sobreviver,a terra me sufocando. Não esperavadespertar outra vez, sentirna terra úmida meu corpocapaz de responder outra vez, lembrandoapós tanto tempo como brotar outra vezna luz friada primavera mais precoce…
-
Louise Glück – Lamium

Assim se vive quando se tem um coração frio.Como eu: nas sombras, arrastando-se sobre a rocha fria,sob os grandes carvalhos. O sol mal me toca.Às vezes o avisto no início da primavera, surgindo muito distante.Então as folhas crescem sobre ele, ocultando-o completamente. Eu o sintobrilhando por entre aas folhas, errático,como alguém batendo na lateral de…
-
Louise Glück – Trillium*

Quando acordei, estava em uma floresta. A escuridãoparecia natural, o céu entre os pinheirosrepleto de muitas luzes. Eu não sabia nada; eu não podia fazer nada além de olhar.E enquanto observava, todas as luzes do céuse apagaram para formar uma única coisa, um fogoardendo por entre os frescos abetos.Então, não era mais possível olharpara o…
-
Louise Glück – Matinas (2)

Pai inalcançável, quando fomos, pela primeira vez,exilados do paraíso, criasteuma réplica, um lugar em certo sentidodiferente do paraíso,concebido para ensinar uma lição: de outro modo,o mesmo – beleza em ambos os lados, belezasem alternativa – Excetoque não sabíamos qual era a lição. Deixados sozinhos,nos consumimos. Anosde escuridão se seguiram; nos revezávamoscuidando do jardim, as primeiras…
-
Louise Glück – Matinas* (1)

Brilha o sol; perto da caixa de correio, folhasde uma bétula dividida, dobradas, plissadas como barbatanas.Abaixo, hastes ocas de narcisos brancos, Tulipas,Cantatrice**; folhasescuras de violetas selvagens. Noah dizque os depressivos odeiam a primavera, desequilíbrioentre o mundo interior e exterior. Eu defendooutra perspectiva – deprimida, sim, mas de alguma forma apaixonadamenteunida à árvore viva, meu corporealmente…
-
Louise Glück – A íris selvagem

No fim do meu sofrimentohavia uma saída. Ouça-me: aquilo que você chama de morteeu me recordo. Acima, ruídos, ramos de pinheiros se movendo.Depois, nada. O sol fracocintilava sobre a superfície ressequida. É terrível sobrevivercomo consciênciaenterrada na terra escura. E então acabou: aquilo que você teme, sendouma alma e incapazde falar, terminando abruptamente, a terra duracedendo…
-
Nelson Santander – Apresentação de “The Wild Iris”, de Louise Glück

Atualizado em 08/10/2020: tive contato com a obra de Louise Glück no ano passado. Como narrado na apresentação que segue, fui tão impactado pela qualidade de seus poemas que me vi na contingência de traduzir, na íntegra, um de seus principais trabalhos – The Wild Iris. E desde então, tenho traduzido diversos outros grandes poemas…