É assim que se vive quando se tem um coração frio.
Como eu: nas sombras, rastejando sobre pedras frias,
sob os grandes carvalhos.
O sol mal me toca.
Às vezes o avisto no início da primavera, elevando-se muito distante.
Então as folhas multiplicam-se sobre ele, escondendo-o completamente. Eu o sinto
brilhando através das folhas, errático,
como alguém batendo na lateral de um copo com uma colher de metal.
Nem todas as criaturas vivas requerem
luz na mesma intensidade. Alguns de nós
fabricamos nossa própria luz: uma folha de prata
como uma trilha que ninguém pode usar; um raso
lago de prata nas trevas sob os grandes carvalhos.
Mas você já sabe disso.
Você e os outros que acham
que vivem de verdade e, por extensão, amam
tudo o que é frio.
Trad.: Nelson Santander
Lamium
This is how you live when you have a cold heart.
As I do: in shadows, trailing over cool rock,
under the great maple trees.
The sun hardly touches me.
Sometimes I see it in early spring, rising very far away.
Then leaves grow over it, completely hiding it. I feel it
glinting through the leaves, erratic,
like someone hitting the side of a glass with a metal spoon.
Living things don’t all require
light in the same degree. Some of us
make our own light: a silver leaf
like a path no one can use, a shallow
lake of silver in the darkness under the great maples.
But you know this already.
You and the others who think
you live for truth and, by extension, love
all that is cold.