Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Ferreira Gullar – de Sete Poemas Portugueses (4)

Nada vos oferto além destas mortes de que me alimento Caminhos não há Mas os pés na grama os inventarão Aqui se inicia uma viagem clara para a encantação Fonte, flor em fogo, quem é que nos espera por detrás da noite ? Nada vos sovino: com a minha incerteza vos ilumino
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Carlos Drummond de Andrade – A um Ausente

Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar. Houve um pacto implícito que rompeste e sem te despedires foste embora. Detonaste o pacto. Detonaste a vida geral, a comum aquiescência de viver e explorar os rumos de obscuridade sem prazo sem consulta sem provocação até o limite das folhas caídas na hora de…
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Ferreira Gullar – Ano Novo

Meia-noite. Fim de um ano, início de outro. Olho o céu: nenhum indício. Olho o céu: o abismo vence o olhar. O mesmo espantoso silêncio da Via-Láctea feito um ectoplasma sobre a minha cabeça nada ali indica que um ano novo começa. E não começa nem no céu nem no chão do planeta: começa no…
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Jorge de Lima – A Divisão de Cristo

Dividamos o mundo em duas partes iguais: uma para portugueses, outra para espanhóis. Vêm quinhentos mil escravos no bojo das naus: a metade morreu na viagem do oceano. Dividamos o mundo entre as pátrias. Vêm quinhentos mil escravos no bojo das guerras: a metade morreu nos campos de batalha. Dividamos o mundo entra as máquinas.…
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Manuel Bandeira – Versos de Natal

Espelho, amigo verdadeiro, Tu refletes as minhas rugas, Os meus cabelos brancos, Os meus olhos míopes e cansados. Espelho, amigo verdadeiro, Mestre do realismo exato e minucioso, Obrigado, obrigado! Mas se fosses mágico, Penetrarias até o fundo desse homem triste, Descobririas o menino que sustenta esse homem, O menino que não quer morrer, Que não…
