Categoria: Poema
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Konstantínos Kaváfis – Míris: Alexandria, 340 d. c.

Quando eu soube da tragédia, que Míris estava morto,fui até sua casa, embora eviteentrar nas casas dos cristãos,principalmente em épocas de luto ou de festividades. Fiquei no corredor. Não quisavançar mais para dentro, porque percebique os parentes do morto me olhavamcom evidente surpresa e desagrado. Tinham-no colocado num cômodo amplodo qual, do ponto onde permaneci,eu…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Traduzido de Kleist

Dizem que no outro mundo o sol é mais brilhanteE brilha sobre campos mais floridosMas os olhos que vêem essas maravilhasSão olhos apodrecidos
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Antonio Cicero – Sair

Largar o cobertor, a cama, o medo, o terço, o quarto, largar toda simbologia e religião; largar o espírito, largar a alma, abrir a porta principal e sair. Esta é a única vida e contém inimaginável beleza e dor. Já o sol, as cores da terra e o ar azul – o céu do dia…
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Antonio Cicero – Perplexidade

Não sei bem onde foi que me perdi; talvez nem tenha me perdido mesmo, mas como é estranho pensar que isto aqui fosse o meu destino desde o começo.
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Giuseppe Ungaretti – Eterno

Entre uma flor colhida e o dom de outra o nada inexprimível Trad.: Haroldo de Campos Eterno Tra un fiore colto e l’ altro donato l’ inesprimibile nulla.
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Giuseppe Ungaretti – De uma Estrela à Outra

Daquela estrela à outra A noite se encarcera Em turbinosa vazia desmesura, Daquela solidão de estrela Àquela solidão de estrela Trad: Haroldo de Campos
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Salvatore Quasimodo – E de repente é noite

Cada um está só no coração da terra traspassado por um raio de sol: e de repente é noite. Trad.: Geraldo Holanda Cavalcanti
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Jorge Luis Borges – Limites

Há uma linha de Verlaine que não voltarei a recordar, Há uma rua próxima que está vedada a meus passos, Há um espelho que me viu pela última vez, Há uma porta que fechei até o fim do mundo. Entre os livros de minha biblioteca (estou vendo-os) Há algum que já nunca abrirei. Este verão…
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Antero de Quental – Divina Comédia

Erguendo os braços para o Céu distante E apostrofando os deuses invisíveis, Os homens clamam: – «Deuses impassíveis, A quem serve o destino triunfante, Porque é que nos criastes?! Incessante Corre o tempo e só gera, inextinguíveis, Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis, Num turbilhão cruel e delirante… Pois não era melhor na paz clemente Do…
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Friedrich Hölderlin – Outrora e Agora

De manhã era feliz, quando jovem, E à noite chorava; já hoje, mais velho, Começo meu dia em dúvida, porém Seu fim é para mim sagrado e sereno. Trad.: Antonio Cicero Ehmals und jetzt In jüngern Tagen war ich des Morgens froh, Des Abends weint’ich; jetzt, da ich älter bin, Beginn ich zweifelnd meinen Tag,…