Louise Glück – A porta de entrada

Eu queria ficar do mesmo jeito,
imóvel como o mundo nunca é imóvel,
não no solstício de verão mas no instante antes
da flor fundamental se formar, no instante
em que nada é ainda passado —

não no solstício de verão, intoxicante,
mas na tardia primavera, a grama ainda não
alta nos limites do jardim, as primeiras tulipas
começando a se abrir —

como uma criança guardando a
porta de entrada, observando os outros,
os que saem primeiro,
um tenso aglomerado de galhos, alerta
aos fracassos dos outros, as hesitações públicas

com a confiança destemida de uma criança com poder iminente
preparando-se para derrotar
essas fraquezas, para sucumbir
a nada, o momento imediatamente

anterior à floração, à era do domínio

antes do aparecimento do dote,
antes da posse.

Trad.: Nelson Santander

The doorway

I wanted to stay as I was,
still as the world is never still,
not in midsummer but the moment before
the first flower forms, the moment
nothing is as yet past —

not midsummer, the intoxicant,
but late spring, the grass not yet
high at the edge of the garden, the early tulips
beginning to open —

like a child hovering in a doorway, watching the others,
the ones who go first,
a tense cluster of limbs, alert to
the failures of others, the public falterings

with a child’s fierce confidence of imminent power
preparing to defeat
these weaknesses, to succumb
to nothing, the time directly

prior to flowering, the epoch of mastery

before the appearance of the gift,
before possession.

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