Mês: julho 2023
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Wislawa Szymborska – A Mulher de Lot

Dizem que olhei para trás curiosa.Mas quem sabe eu também tinha outras razões.Olhei para trás de pena pela tigela de prata.Por distração – amarrando a tira da sandália.Para não olhar mais para a nuca virtuosado meu marido Lot.Pela súbita certeza de que se eu morresseele nem diminuiria o passo.Pela desobediência dos mansos.Alerta à perseguição.Afetada pelo…
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Linda Pastan – Os tordos

Só posso chamá-la de pós-pós-moderna — esta música deixada pelos tordosenquanto voejam para o sul abandonando as árvores —estes frondosos cancioneiros — como enlouquecidas notasindividuais. E os bosques ressoamcom os primeiros sons do outono, dissonantese sombrios, antes que uma únicafolha se transforme. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e…
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Anna Akhmátova – A Mulher de Lot

A mulher de Lot, que o seguia, olhou para trás e transformou-se numa estátua de sal. Gênesis E o homem justo seguiu o enviado de Deus,alto e brilhante, pelas negras montanhas.Mas a angústia falava bem alto à sua mulher:“Ainda não é tarde demais; ainda dá tempo de olharas rubras torres da tua Sodoma natal,a praça onde cantavas,…
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Samuel Daniel – Soneto XXXVIII (de Delia)

Quando murchar a flor, a glória dessa imagem,e tu sozinha, o rosto cheio de cuidado,no espelho que não mente leres a mensagemde que tua beleza já terá findado:verás vivas as chagas que fizeste em mim,e, extinta a chama tua, eu a guardar-lhe o ardor;que, se antes de fanares eu te amei assim,em teu declínio aumentará…
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Miquel Martí i Pol – Tua Solidão

Enquanto puderes, não desperdicestua solidão, dedicando-a a uma absurdabusca do nada, nem te persigasobsessivamente por escuros corredores.Assustado pela luz dos preceitos.Sai sob o sol pleno e observaas coisas difíceis.Considera que o jogo desmedido das palavrasnão te servirá de nada se não te apoiaresnaquilo que te rodeia. Há as pedrase as árvores e as pessoas e…
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Edith Södergran – Nada

Fique tranquilo, meu filho, não há nada,e tudo é como parece: a floresta, a fumaçae os trilhos que desaparecem.Em algum lugar afastado, em países distantes,existe um céu mais azul e uma parede coberta de rosasou uma palmeira e um vento suave —e isso é tudo.Não há nada além de neve no ramo do pinheiro.Não há…
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Joan Margarit – Quando se perde o sinal

À noite, em um pequeno aeroporto,vês um avião decolando.O sinal vai se perdendo.Sem nenhuma piedade por quem tens sido,pois a piedade é demasiado efêmera enão há tempo para edificar nada sobre ela,sentes-te convencido de que vives,embora sem esperanças, uns anosque são os mais felizes de tua vida.Há uma outra poesia, haverá sempre,como há outra música.…
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Thomas Lux – “Ti amo Coração”

“Ti amo Coração”, um poema de Thomas Lux que retrata um homem que arrisca a própria vida para declarar seu amor em público, explorando o caráter tolo, ardente e perigoso da paixão como expressão extrema e abençoada do sentimento amoroso.
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Nuno Júdice – Fotografia

Naquilo a que o jornal chama um nu sulfuroso deatget (1925) a mulher está de gatas em cima da cama,e olha para trás, de esguelha, como se quisessemostrar-se ao fotógrafo, por um lado, e esconder-sede nós, por outro. Mas quando a olhamos, adivinha-seum sorriso que, não se sabe porquê, se esbate comessa espécie de névoa…
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Thom Gunn – O atiçador

Quarenta e oito anos atrás —Já se passaram mesmo quarenta e oito anosDesde então?— eles forçaram a portaQue ela havia barricadoCom o peso de uma escrivaninha inteiraPara que ninguém descobrisse, como eles descobriram,o que ela havia bloqueado. Ela havia bloqueado a portaPara manter as crianças do lado de fora.Em seu roupão vermelho,Ela fizera anotações, ocupada…