Mês: dezembro 2017
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Emmanuel Santiago – Lembro-me das Madrugadas

Lembro-me das madrugadas de Minas, quando o frio era vidro moído na carne e, lívido, o orvalho lustrava o gume das estrelas, que luziam no brilho sombrio do céu noturno (negro veludo). Através da neblina, em dança imóvel e milenar, tremulava o vulto oblíquo das montanhas. E aquilo era tudo que eu sabia do horizonte…
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Mario Cesariny – Os Pássaros de Londres

Os pássaros de Londres cantam todo o inverno como se o frio fosse o maior aconchego nos parques arrancados ao trânsito automóvel nas ruas da neve negra sob um céu sempre duro os pássaros de Londres falam de esplendor com que se ergue o estio e a lua se derrama por praças tão sem cor…
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Ruy Espinheira Filho – Canção de Depois de Tanto

a Roniwalter Jatobá Vamos beber qualquer coisa, que a vida está um deserto e o coração só me pulsa sombras de Ido e do Incerto. Vamos beber qualquer coisa, que a lua avança no mar e há salobros fantasmas que não quero visitar. Vamos beber…
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Ricardo Silvestrin – Sem Título

Lá no horizonte, o ar frio. Mais perto de você, a saudade. Fotografias. Um quadro completo. Vale a pena ver só. A verdade é uma escultura, se você quiser anunciar.
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Ruy Espinheira Filho – Canção

Morri de pena de ti porque foi tudo outra história – não a que hoje poderias viver em minha memória. Coisas da vida. Outro conto se contou então. E, enfim, vejo que foste feliz. Morro de pena de mim.
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Hilda Hilst – Poemas aos homens do nosso tempo III

homenagem a Natalia Gorbanievskaya Sobre o vosso jazigo — Homem político — Nem compaixão, nem flores. Apenas o escuro grito Dos homens. Sobre os vossos filhos — Homem político — A desventura Do vosso nome. E enquanto estiverdes À frente da Pátria Sobre nós, a mordaça. E sobre as vossas vidas — Homem político —…
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Carlos Drummond de Andrade – O Retrato Malsim

O inimigo maduro a cada manhã se vai formando no espelho de onde deserta a mocidade. Onde estava ele, talvez escondido em castelos escoceses, em cacheados cabelos de primeira comunhão? Onde, que lentamente grava sua presença por cima de outra, hoje desintegrada? Ah, sim: estava na rigidez das horas de tenência orgulhosa, no morrer em…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Instante

Deixai-me limpo O ar dos quartos E liso O branco das paredes Deixai-me com as coisas Fundadas no silêncio
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Fundo do Mar

No fundo do mar há brancos pavores,Onde as plantas são animaisE os animais são flores. Mundo silencioso que não atingeA agitação das ondas.Abrem-se rindo conchas redondas,Baloiça o cavalo-marinho.Um polvo avançaNo desalinhoDos seus mil braços,Uma flor dança,Sem ruído vibram os espaços. Sobre a areia o tempo poisaLeve como um lenço. Mas por mais bela que seja…
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José Paulo Paes – Epitáfio para um banqueiro

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