Mês: dezembro 2017
-
Giuseppe Ungaretti – Peso

Mariano, 29 de junho de 1916 Aquele camponês se fia na medalha de Santo Antonio e segue tranquilo Mas bem só e bem nua sem qualquer miragem carrego minha alma Trad.: Geraldo Holanda Cavalcanti
-
Georg Trakl – Ocaso

A Karl Borromäus Heinrich Por sobre o lago branco Partiram os pássaros selvagens. No crepúsculo sopra de nossas estrelas um vento gelado. Por sobre os nossos túmulos Inclina-se a fronte despedaçada das trevas. Sob carvalhos, balançamos numa barca prateada. Sempre ressoam os muros brancos da cidade. Sob arcos de espinhos Oh, irmão, ponteiros cegos, escalamos…
-
Georg Trakl – Olhando um velho álbum

Sempre voltas, melancolia, Mansidão da alma solitária. Por fim arde um dia dourado. Com humildade curva-se à dor o paciente Ressoando harmonia e suave loucura. Olha! Já escurece. Volta de novo a noite e um mortal lamenta-se E com ele sofre um outro. Arrepiada sob estrelas de outono, A cabeça mais baixa a cada ano.
-
Federico García Lorca – E Depois…

Os labirintos que criam o tempo se desvanecem. (Só fica o deserto.) O coração, fonte do desejo, se desvanece. (Só fica o deserto) A ilusão da aurora e os beijos se desvanecem. Só fica o deserto. Um ondulado deserto. Trad.: William Agel de Mello Y después Los laberintosque crea el…
-
Eugénio de Andrade – Adágio

O Outono é isto – apodrecer de um fruto entre folhas esquecido. Água escorrendo, quem sabe donde, ocasional e fria e sem sentido.
-
José Saramago – É tão fundo o silêncio…

É tão fundo o silêncio entre as estrelas. Nem o som da palavra se propaga, Nem o canto das aves milagrosas. Mas lá, entre as estrelas, onde somos Um astro recriado, é que se ouve O íntimo rumor que abre as rosas.
-
José Saramago – Diz tu por mim, silêncio

Não era hoje um dia de palavras, Intenções de poemas ou discursos, Nem qualquer dos caminhos era nosso. A definir-nos bastava um acto só, E já que nas palavras me não salvo, Diz tu por mim, silêncio, o que não posso. Conheça outros livros de José Saramago clicando aqui
-
José Saramago – As Palavras de Amor

Esqueçamos as palavras, as palavras: As ternas, caprichosas, violentas, As suaves de mel, as obscenas, As de febre, as famintas e sedentas. Deixemos que o silêncio dê sentido Ao pulsar do meu sangue no teu ventre: Que palavra ou discurso poderia Dizer amar na língua da semente?
-
Ronaldo Costa Fernandes – Férias

Aqui, quieto em meu canto sem mexer-me, olhando a luz higiênica do sol, penso na inutilidade cansativa de malas e hotéis para divertir-me nas férias estrangeiras. Não, só preciso da vontade, nem sempre firme, um vento estradeiro, um alarde distante de pássaros e nada além do meu corpo.
-
Dylan Thomas – E a Morte não terá nenhum Domínio

E a morte não terá nenhum domínio. Nus, os mortos irão se confundir Com o homem no vento e a lua no poente; Quando seus alvos ossos descarnados se tornarem pó, Haverão de brilhar as estrelas em seus pés e cotovelos; Ainda que enlouqueçam, permanecerão lúcidos, Ainda que submersos pelo mar, haverão de ressurgir; Ainda…