Tag: Augusto de Campos
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Rainer Maria Rilke – Fonte Romana

Vila Borghese Duas velhas bacias sobrepondosuas bordas de mármore redondo.Do alto a água fluindo, devagar,sobre a água, mais embaixo, a esperar, muda, ao murmúrio, em diálogo secreto,como que só no côncavo da mão,entremostrando um singular objeto:o céu, atrás da verde escuridão; ela mesma a escorrer na bela pia,em círculos e círculos, constante-mente, impassível e sem…
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Emily Dickinson – Morri pela Beleza

Morri pela Beleza – e assim que no JazigoMeu Corpo foi fechado,Um outro Morto foi depositadoNum Túmulo contíguo – “Por que morreu?” murmurou sua voz.“Pela Beleza” – retruquei –“Pois eu – pela Verdade – É o Mesmo. NósSomos Irmãos. É uma só lei” – E assim Parentes pela Noite, sábios –Conversamos a Sós –Até que…
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Rainer Maria Rilke – A nós nos cabe andar

I.22 A nós, nos cabe andar.Mas o tempo, os seus passos,são mínimos pedaçosdo que há de ficar. É perda puratudo o que é pressa;só nos interessao que sempre dura. Jovem, não há virtudena velocidadee no voo aonde for. Tudo é quietude:escuro e claridade,livro e flor. Trad.: Augusto de Campos REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente…
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Hart Crane – Louvor a uma urna

Louvor a uma urna In Memoriam: Ernest Nelson Era do norte o rosto ternoDe falso exilado, juntandoDe Pierrô o olhar eternoE a gargalhada de Gargantua. Os sonhos que me confiavaDo travesseiro branco, insone,Agora eu sei, eram heranças –Corcéis suaves do ciclone. No monte oblíquo a lua oblíquaNos deu presságios indistintosDo que ainda vivo o morto…
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Rainer Maria Rilke – O Mundo Estava no Rosto da Amada

“O Mundo Estava no Rosto da Amada”, um poema de Rainer Maria Rilke que concentra o infinito no rosto amado e revela o amor como excesso que nos transborda e nos desfaz.
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John Keats – Ode sobre a Indolência

I Numa certa manhã eu vi as três as figuras, Curvadas, de perfil, mãos juntas, uma a uma,Seguindo atrás da outra, mudas e seguras, Sandálias suaves, vestes alvas, pés de pluma;Como formas de mármore em alto-relevo Sobre uma urna, foram-se, ao girar a face Do vaso; mas voltando ao ângulo anterior,Mostraram-se mais uma vez como…
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Lewis Carroll – Jaguadarte

Era briluz. As lesmolisas touvasRoldavam e relviam nos gramilvos.Estavam mimsicais as pintalouvas,E os momirratos davam grilvos. “Foge do Jaguadarte, o que não morre!Garra que agarra, bocarra que urra!Foge da ave Felfel, meu filho, e correDo frumioso Babassurra!” Ele arrancou sua espada vorpalE foi atrás do inimigo do Homundo.Na árvora Tamtam ele afinalParou, um dia, sonilundo.…
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Rainer Maria Rilke – Morgue

Estão prontos, ali, como a esperarque um gesto só, ainda que tardio,possa reconciliar com tanto frioos corpos e um ao outro harmonizar; como se algo faltasse para o fim.Que nome no seu bolso já vaziohá por achar? Alguém procura, enfim,enxugar dos seus lábios o fastio: em vão; eles só ficam mais polidos.A barba está mais…
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Dylan Thomas – Não vás tão docilmente

Não vás tão docilmente nessa noite linda;Que a velhice arda e brade ao término do dia;Clama, clama contra o apagar da luz que finda. Embora o sábio entenda que a treva é bem-vindaQuando a palavra já perdeu toda a magia,Não vai tão docilmente nessa noite linda. O justo, à última onda, ao entrever, ainda,Seus débeis…
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William Butler Yeats – Viajando para Bizâncio

Aquela não é terra para velhos. Gentejovem, de braços dados, pássaros nas ramas— gerações de mortais — cantando alegremente,salmão no salto, atum no mar, brilho de escamas,peixe, ave ou carne glorificam ao sol quentetudo o que nasce e morre, sêmen ou semente.Ao som da música sensual, o mundo esqueceas obras do intelecto que nunca envelhece.…