Tag: Amor
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Cassiano Ricardo – Jogo de Xadrez

1 Não posso, sem remorso, ver uma criatura dormindo. Tão sincera, dá-se tanto (tão f o t o g ê n i c a- m e n t e) que me arrependo de não lhe haver sido mais puro quando falávamos, há pouco. A morte, se igual ao sono, absolvido, já, da luta, deverá ser…
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Ricardo Silvestrin – Dança

Sim, existe a dança: o corpo solto avança e recua leve nos passos matemáticos, um, dois, um, como se fosse mais fácil viver num tempo menor, brincadeira de criança que sabe de cor o roteiro e ri na hora marcada. Fora da dança, o infinito nos convida, nos seduz com passos improváveis, mas temos dois…
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E. E. Cummings – “o amor é mais muito que olvido”

o amor é mais muito que olvido mais pouco que memória mais raro que onda ser aguada mais comum que dar foras é mais lunar, demente por menos nem falar que o mar todo somente mais fundo do que o mar é menos sempre que sucesso menos jamais que ao vivo menos maior que um…
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Cassiano Ricardo – Ode Pastoril

A paisagem é minha só porque tenho olhos. O pássaro é meu só porque tenho ouvidos. Amo com a mão as coisas que o estar aqui me deu. No universal verde, sou meu ser, não sou eu. Em meu léxico lírico só existem duas palavras, e uma é irmã da outra: a manhã e o…
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Laura Amélia Damous – Brevíssima Canção do Amor Constante

Ferindo o tempo Vestindo eternidade O meu amor tranqüilo e mudo Vive em ti Tão leve e manso Que tu não o sentes Tu
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Carlos Nejar – Gazel do Universo Começando

“Gazel do Universo Começando”, um poema de Carlos Nejar que funde amor e cosmos em imagens circulares de vento, trigo e mar, sugerindo que o universo inteiro começa no encontro amoroso e no movimento compartilhado dos amantes.
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Lêdo Ivo – A Queimada

Queime tudo o que puder: as cartas de amor as contas telefônicas o rol de roupas sujas as escrituras e certidões as inconfidências dos confrades ressentidos a confissão interrompida o poema erótico que ratifica a impotência e anuncia a arteriosclerose os recortes antigos e as fotografias amareladas. Não deixe aos herdeiros esfaimados nenhuma herança de…
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Carlos Drummond de Andrade – Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, não cantaremos o ódio porque esse não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo…
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Carlos Drummond de Andrade – O Medo

Em verdade temos medo. Nascemos escuro. As existências são poucas: Carteiro, ditador, soldado. Nosso destino, incompleto. E fomos educados para o medo. Cheiramos flores de medo. Vestimos panos de medo. De medo, vermelhos rios vadeamos. Somos apenas uns homens e a natureza traiu-nos. Há as árvores, as fábricas, Doenças galopantes, fomes. Refugiamo-nos no amor, este…