Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Marina Colasanti – Sexta-feira à noite
Sexta-feira à noiteOs homens acariciam o clitóris das esposasCom dedos molhados de saliva.O mesmo gesto com que todos os diasContam dinheiro, papéis, documentosE folheiam nas revistasA vida dos seus ídolos. Sexta-feira à noiteOs homens penetram suas esposasCom tédio e pénis.O mesmo tédio com que todos os diasEnfiam o carro na garagemO dedo no narizE metem…
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Nuno Júdice – Epidemia

Passa de um para o outro através do olhar, de uma palavra,de um toque de mãos; por vezes, basta um leve suspiropara adivinhar a febre, e atrás dele descobre-se quenão é preciso cura nem tratamento. Instala-se na cabeça,no corpo, na boca, nos dedos, sem dor nem cansaço,apenas aquela ânsia a que se dá o nome…
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José Miguel Silva – Tudo coisas mortais para a poesia

A casa, o lume, o sono dobradodo corpo feliz, a cesta de figos,a curva do rio, a fotografiano cimo do monte, a veracidadedas glicínias, o rosto da mãe,a fava no bolo, o trunfo de copas,o filme da tarde, a música nova,o rasto da chuva por entre os pinheiros,as aves que voltam, os dias que passamperto…
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Alberto Bresciani – Bisões

Leia “Bisões”, de Alberto Bresciani, um poema sobre pertencimento, deslocamento e a busca humana por direção e sentido.
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Carlos Drummond de Andrade – A bruxa

Nesta cidade do Rio,de dois milhões de habitantes,estou sozinho no quarto,estou sozinho na América. Estarei mesmo sozinho?Ainda há pouco um ruídoanunciou vida ao meu lado.Certo não é vida humana,mas é vida. E sinto a bruxapresa na zona de luz. De dois milhões de habitantes!E nem precisava tanto…Precisava de um amigo,desses calados, distantes,que leem verso de…
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Maria do Rosário Pedreira – ouvidos

“Ouvidos”, de Maria do Rosário Pedreira: uma emotiva reflexão sobre a solidão e a saudade.
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Antonio Cícero – O Fim da Vida

Conheci da humana lida a sorte: o único fim da vida é a morte e não há, depois da morte, mais nada. Eis o que torna esta vida sagrada: ela é tudo e o resto, nada. Antonio Cícero 1946 🌟 2024
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Manuel António Pina – Eugénio de Andrade no seu leito de morte

“Eugénio de Andrade no seu leito de morte”, um poema de Manuel António Pina

