Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Traduzido de Kleist

Dizem que no outro mundo o sol é mais brilhanteE brilha sobre campos mais floridosMas os olhos que vêem essas maravilhasSão olhos apodrecidos REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 17/02/2016
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Ferreira Gullar – Voltas Para Casa

Depois de um dia inteiro de trabalhovoltas para casa, cansado.Já é noite em teu bairro e as mocinhasde calças compridas desceram para a portaapós o jantar.Os namorados vão ao cinema.As empregadas surgem das entradas de serviço.Caminhas na calçada escura.Consumiste o dia numa sala fechada,lidando com papéis e números.Telefonaste, escreveste,irritações e simpatias surgiram e desapareceramno fluir…
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Nuno Júdice – Amor

“Amor”, um poema de Nuno Júdice sobre a fragilidade da linguagem ao tentar capturar a profundidade das experiências amorosas, revelando o abismo entre o que é vivido e o que é dito.
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Arnaldo Antunes – Eu apresento a página branca

Eu apresento a página branca Contra: Burocratas travestidos de poetasSem-graças travestidos de sériosAnões travestidos de criançasComplacentes travestidos de justosJingles travestidos de rockEstórias travestidas de cinemaChatos travestidos de coitadosPassivos travestidos de pacatosMedo travestido de sensoCensores travestidos de sensoresPalavras travestidas de sentidoPalavras caladas travestidas de silêncioObscuros travestidos de complexosBois travestidos de tourosFraquezas travestidas de virtudesBagaços travestidos de…
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Miguel Torga – Rogo

Não, não rezes por mim.Nenhum deus me perdoa a humanidade.Vim sem vontadeE vou desesperado.Mas assinei a vida que vivi.Doeu-me o que sofri.Fui sempre o senhorio do meu fado. Por isso, quero a morte que mereço.A morte natural,Solitária e malditaDe quem não acreditaEm nenhuma oraçãoDe salvação.De quem sabe que nunca ressuscita. Coimbra, 16 de Abril de…
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Paulo Henriques Britto – de “Vers de circonstance”

I. Imunidade de Rebanho A estupidez é sua própria recompensa.Graças a ela, o mundo faz sentido,um só, que é fácil de identificar.E só o fácil satisfaz a quem não pensa. Pensar é coisa trabalhosa. A ignorânciaé o sumo bem dos cidadãos de bem,é a verdadeira marca dos eleitos.Ter sucesso é não ter que saber. Saber…
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Maria do Rosário Pedreira – [Quem se afasta do mundo deixa a quem fica]
![Maria do Rosário Pedreira – [Quem se afasta do mundo deixa a quem fica]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2024/08/488751581.jpeg)
[Quem se afasta do mundo deixa a quem fica], um poema de Maria do Rosário Pedreira sobre a dor silenciosa da perda e as lembranças que persistem nos objetos e na rotina diária.
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David Mourão-Ferreira – Soneto do cativo

Se é sem dúvida Amor esta explosãoDe tantas sensações contraditórias;A sórdida mistura das memórias,Tão longe da verdade e da invenção; O espelho deformante; a profusãoDe frases insensatas, incensórias;A cúmplice partilha nas históriasDo que os outros dirão ou não dirão; Se é sem dúvida Amor a cobardiaDe buscar nos lençóis a mais sombriaRazão de encantamento e…

